Irã avalia proposta dos EUA para encerrar conflito
Uma fonte paquistanesa afirmou que as negociações avançaram
247 - Os Estados Unidos e o Irã estão próximos de um entendimento preliminar para encerrar a guerra no Golfo, segundo uma fonte paquistanesa familiarizada com as negociações. A proposta em discussão é um memorando de uma página que abriria caminho para uma nova etapa diplomática sobre o Estreito de Ormuz, o programa nuclear iraniano e as sanções impostas por Washington. As informações são da Reuters.
De acordo com a agência, o Paquistão atua como mediador entre os dois lados e sediou no mês passado as únicas conversas de paz realizadas até agora durante o conflito. A fonte paquistanesa afirmou que as negociações avançaram e que um desfecho pode ocorrer em breve.
“Vamos fechar isso muito em breve. Estamos chegando perto”, disse a fonte paquistanesa.
O possível acordo ganhou força após reportagem da Axios, considerada correta pela fonte ouvida pela Reuters. A publicação norte-americana afirmou que a Casa Branca acredita estar próxima de concluir um memorando de entendimento com o Irã. O texto, ainda em negociação, teria 14 pontos e serviria como base para interromper a guerra na região.
Segundo a Reuters, a Casa Branca, o Departamento de Estado e autoridades iranianas não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. A CNBC, por sua vez, citou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã segundo o qual Teerã está avaliando uma proposta norte-americana de 14 pontos.
Proposta envolve sanções, programa nuclear e Ormuz
De acordo com a Axios, citada pela Reuters, o memorando incluiria compromissos de ambos os lados. O Irã aceitaria uma moratória no enriquecimento nuclear, enquanto os Estados Unidos concordariam em suspender sanções e liberar bilhões de dólares em recursos iranianos congelados.
O entendimento também trataria das restrições ao trânsito pelo Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o comércio global de energia. A proposta prevê que as limitações iranianas à navegação e o bloqueio naval norte-americano contra portos iranianos sejam retirados gradualmente durante um período de 30 dias.
Nesse intervalo, as partes negociariam um acordo mais detalhado para reabrir o estreito, limitar o programa nuclear do Irã e remover sanções dos Estados Unidos. Ainda segundo a reportagem citada pela Reuters, caso as tratativas fracassem, forças norte-americanas poderiam restabelecer o bloqueio ou retomar ações militares.
O memorando estaria sendo negociado por enviados norte-americanos, entre eles Steve Witkoff e Jared Kushner, com autoridades iranianas. As conversas ocorreriam tanto de forma direta quanto por meio de mediadores.
Trump pausa missão naval no Estreito de Ormuz
O avanço diplomático foi divulgado poucas horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma pausa na chamada “Project Freedom”, missão naval lançada para escoltar embarcações pelo Estreito de Ormuz.
A operação havia sido anunciada no domingo com o objetivo de reabrir a passagem marítima bloqueada. No entanto, segundo a Reuters, a missão não conseguiu provocar uma retomada significativa do tráfego e ainda levou a uma nova onda de ataques iranianos contra navios no estreito e alvos em países vizinhos.
Ao anunciar a suspensão temporária da missão, Trump afirmou que havia “grande progresso” nas negociações com o Irã.
“Nós concordamos mutuamente que, enquanto o Bloqueio permanecerá em pleno vigor e efeito, o Project Freedom (O Movimento de Navios pelo Estreito de Ormuz) será pausado por um curto período de tempo para ver se o Acordo pode ou não ser finalizado e assinado”, escreveu Trump em uma rede social.
A decisão ocorreu após Trump ter indicado que provavelmente rejeitaria a proposta iraniana mais recente. Essa oferta, apresentada na semana passada, também continha 14 pontos e previa deixar a discussão nuclear para depois do fim da guerra e da resolução da disputa sobre a navegação.
Irã fala em acordo justo e abrangente
O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, não mencionou diretamente as declarações mais recentes de Trump durante visita à China nesta quarta-feira. Ele afirmou, porém, que Teerã busca “um acordo justo e abrangente”.
A posição iraniana ocorre em meio à pressão causada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz e pelos impactos econômicos da guerra. Desde o fim de fevereiro, o Irã mantém a passagem praticamente fechada a embarcações que não sejam suas. Em abril, Washington impôs um bloqueio separado aos portos iranianos.
O estreito é uma das rotas marítimas mais sensíveis do mundo, especialmente para o transporte de petróleo. A interrupção prolongada do tráfego agravou preocupações sobre o abastecimento global de energia e ampliou os reflexos econômicos do conflito.
Mercados reagem com otimismo
A notícia sobre a possível aproximação entre Estados Unidos e Irã teve impacto imediato nos mercados internacionais. Os preços globais do petróleo despencaram, com os contratos futuros do Brent caindo mais de 8%, para cerca de US$ 100 por barril.
As bolsas globais também subiram, enquanto os rendimentos dos títulos caíram, em uma reação de otimismo diante da possibilidade de encerramento da guerra. A perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz e de redução das tensões no Golfo foi interpretada como um fator de alívio para a economia global.
A guerra tem afetado diretamente o fluxo de energia e provocado instabilidade no transporte marítimo. Durante a vigência da missão naval norte-americana, drones e mísseis iranianos atingiram embarcações dentro e ao redor do estreito, incluindo um cargueiro sul-coreano que relatou uma explosão na sala de máquinas.
Na terça-feira, uma empresa francesa de transporte marítimo informou que um de seus navios porta-contêineres foi atingido na região. Tripulantes feridos precisaram ser evacuados.
Conflito ampliou tensão no Golfo
A Reuters informou que o Irã passou a atacar também alvos nos Emirados Árabes Unidos, incluindo o principal porto petrolífero do país fora da passagem pelo Estreito de Ormuz. A região vinha sendo usada como alternativa para exportações sem necessidade de cruzar o estreito.
Teerã também afirmou que estava ampliando a área sob seu controle para incluir trechos da costa dos Emirados, no lado oposto do estreito. A escalada militar aumentou o risco de interrupções mais amplas no comércio regional e elevou a pressão sobre Washington e Teerã por uma saída negociada.
O possível memorando representa, até agora, o sinal mais concreto de uma tentativa de desescalada. Ainda assim, o acordo depende de respostas iranianas a pontos considerados centrais pelos Estados Unidos. Segundo a Axios, Washington esperava essas respostas em até 48 horas.
Se firmado, o documento não encerraria todas as disputas entre os dois países, mas abriria uma janela de 30 dias para negociações mais amplas. Nesse período, a principal prioridade seria consolidar o fim da guerra, restaurar a navegação pelo Estreito de Ormuz e definir os termos de um eventual alívio nas sanções norte-americanas.