Irã promete liberar passagem pelo Estreito de Ormuz a países que romperem relações com EUA e Israel
Guarda Revolucionária iraniana diz que países que expulsarem embaixadores americanos e israelenses terão trânsito livre pela rota estratégica do petróleo
247 - A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) anunciou que países árabes ou europeus que decidirem romper relações diplomáticas com os Estados Unidos e Israel poderão ter acesso irrestrito ao Estreito de Ormuz. A medida, segundo a corporação militar iraniana, passaria a valer a partir desta terça-feira (10) e garantiria liberdade total de navegação para as nações que adotarem essa posição diplomática.
De acordo com informações da emissora estatal iraniana IRIB, a IRGC declarou que esses países terão o “direito e a liberdade totais” de transitar pela estratégica via marítima caso expulsem de seus territórios os embaixadores norte-americanos e israelenses.
O Estreito de Ormuz é um dos corredores energéticos mais importantes do planeta. A passagem marítima, com cerca de 34 quilômetros de largura, concentra aproximadamente um quinto do fluxo global de petróleo, tornando-se um ponto crítico para o abastecimento mundial e para a estabilidade dos mercados de energia.
Tensão em Ormuz pressiona mercado de petróleo
O conflito militar envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã elevou significativamente os preços do petróleo nos mercados internacionais. Entre os principais fatores estão o bloqueio quase total do Estreito de Ormuz e a redução da produção petrolífera em partes do Oriente Médio. Desde o início das hostilidades, o barril tem sido negociado próximo dos 100 dólares.
O tráfego marítimo na região foi fortemente impactado após ataques iranianos contra embarcações comerciais. Pelo menos cinco navios foram atingidos, e apenas um número limitado de petroleiros continua atravessando o estreito, o que compromete uma rota responsável por cerca de 20% do fornecimento global de petróleo e gás natural liquefeito.
EUA avaliam controle da rota
Diante da escalada das tensões, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista à CBS News que seu governo está avaliando a possibilidade de assumir o controle do Estreito de Ormuz. Segundo ele, a Casa Branca está “pensando em assumir o controle” da passagem marítima, embora tenha ressaltado que a rota permanece aberta.
O governo norte-americano também estuda medidas para garantir a segurança da navegação na região. O assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, declarou à CNBC e à Bloomberg Television que as Forças Armadas dos EUA estão elaborando um plano para facilitar a passagem de navios pelo estreito. Ele, no entanto, não revelou detalhes sobre o cronograma da operação.
Entre as alternativas analisadas pelo governo norte-americano está o envio da Marinha para escoltar petroleiros que cruzarem o corredor marítimo. Além disso, Donald Trump anunciou que orientou a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA a oferecer seguros contra riscos políticos e garantias financeiras para operações de navegação no Golfo.
Apesar dessas medidas, armadores e analistas do setor avaliam que as iniciativas podem não ser suficientes para restabelecer plenamente a segurança da rota.


