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Alta do petróleo com guerra no Irã pode afetar preço dos combustíveis no Brasil

Os reflexos da volatilidade internacional começaram a aparecer de forma moderada nos preços dos combustíveis no País

Abastecimento de veículo em posto de gasolina - 18/04/2013 (Foto: Beawiharta Beawiharta/Reuters)

247 - A recente escalada do conflito envolvendo o Irã provocou forte instabilidade no mercado internacional de energia e reacendeu o debate sobre possíveis impactos nos preços dos combustíveis no Brasil. A valorização do petróleo ocorreu em meio às tensões no Oriente Médio e às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os relatos foram publicados nesta segunda-feira (9) pelo Portal G1.

Segundo informações divulgadas por dados do mercado e por órgãos reguladores do setor energético, o barril de petróleo chegou a ultrapassar a marca de US$ 100 desde o último dia 28, atingindo o nível mais elevado desde fevereiro de 2022. Posteriormente, após novas declarações do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, os preços recuaram e voltaram a se aproximar da faixa de US$ 90 por barril.

Apesar da queda recente, o fechamento do Estreito de Ormuz — uma das rotas mais importantes para o transporte global de petróleo — intensificou as preocupações sobre possíveis restrições no fornecimento da commodity e de seus derivados no mercado internacional.

No Brasil, os reflexos da volatilidade internacional começaram a aparecer de forma moderada nos preços dos combustíveis. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que a gasolina registrou leve alta, passando de R$ 6,28 para R$ 6,30 entre a última semana de fevereiro e o dia 7 de março.

No mesmo período, o diesel também apresentou aumento. O preço médio do combustível subiu de R$ 6,03 para R$ 6,08.

Especialistas destacam que o repasse das oscilações do mercado internacional para os combustíveis no Brasil não ocorre de forma imediata. Isso se deve ao modelo de formação de preços adotado pela Petrobras nos últimos anos.

Desde 2023, quando o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu abandonar a política de paridade de importação (PPI), a estatal passou a adotar um sistema que leva em consideração múltiplos fatores. Entre eles estão as cotações internacionais do petróleo, os custos de produção e as condições do mercado interno.

De acordo com Marcos Bassani, analista de investimentos e sócio da Boa Brasil Capital, esse modelo contribuiu para reduzir a frequência de reajustes no país.

“Quando o petróleo sobe rapidamente, os combustíveis no Brasil podem ficar temporariamente mais baratos que no mercado internacional. Isso mostra que a Petrobras está absorvendo parte do impacto externo para evitar aumentos bruscos”, afirma.

O especialista ressalta, no entanto, que a duração do movimento de alta no petróleo será determinante para os próximos passos da estatal. “Se o petróleo permanecer em nível elevado por muito tempo, a Petrobras tende a reajustar os preços para recuperar margens”, diz Bassani.

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