HOME > Mundo

Israel ameaça anexar sul do Líbano em meio a agressão militar

Ministro Bezalel Smotrich, de extrema-direita, defende extensão da fronteira israelense até o rio Litani

Ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich (Foto: REUTERS/Ronen Zvulun/Arquivo)

247 - O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, afirmou nesta segunda-feira (23) que o país deve estender sua fronteira até o rio Litani, no sul do Líbano, em meio à agressão militar que envolve ataques a pontes e residências na região. Smotrich, líder de um partido de extrema-direita na coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, afirmou que a campanha militar "precisa terminar com uma realidade totalmente diferente, tanto em relação à decisão do Hezbollah quanto à mudança das fronteiras de Israel". As informações são da agência Reuters.

"Digo aqui de forma definitiva… a nova fronteira israelense deve ser o Litani", declarou. O Líbano entrou no conflito regional em 2 de março, após o lançamento de mísseis do Hezbollah contra Israel em resposta às agressões sofridas pelo Irã. Desde então, o governo israelense ordenou que todos os residentes deixassem a área ao sul do rio Litani, considerada reduto do grupo, e intensificou ataques aéreos e operações terrestres.

Autoridades libanesas informam que mais de 1.000 pessoas morreram e mais de um milhão foram deslocadas, enquanto Israel segue destruindo pontes e residências na região. No último fim de semana, o país atingiu uma ponte principal ligando o sul do Líbano ao restante do território e intensificou a demolição de casas próximas à fronteira. Na segunda-feira, novas pontes foram atingidas, complicando o deslocamento local.

Hanna Amil, prefeita da cidade fronteiriça de Rmeish, relatou dificuldades crescentes para a população se locomover e acessar serviços básicos. "Já não temos eletricidade, água e há falta de diesel. Se todas as rotas para o norte forem cortadas, ninguém sabe o que o futuro nos reserva", disse.

Possíveis anexações e contexto histórico

Smotrich também defendeu a anexação de territórios atualmente sob controle israelense na Faixa de Gaza, até uma linha de armistício com o Hamas. A unidade militar israelense afirma que as operações no Líbano incluem manobras terrestres e ataques direcionados contra militantes do Hezbollah e depósitos de armas, com o objetivo de proteger o norte de Israel.

O governo libanês baniu as atividades militares do Hezbollah e expressou interesse em negociar diretamente com Israel. Analistas destacam que os comentários de Smotrich são mais explícitos que a política oficial do país, enquanto o primeiro-ministro Netanyahu ainda não se pronunciou sobre a declaração.

Especialistas em direito internacional alertam que ataques a infraestruturas civis violam normas internacionais, e a chefe de direitos humanos da ONU criticou a ampla ordem de evacuação da população. O país também enfrenta impactos econômicos, como a queda de mais de 8% no preço do ouro, atingindo mínima de quatro meses.

Artigos Relacionados