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Israel amplia ofensiva no sul do Líbano e assume controle da histórica fortaleza de Beaufort

Avanço militar israelense ocorre apesar do cessar-fogo e antecede nova rodada de negociações entre Líbano e Israel nos Estados Unidos

Solados israelenses na fortaleza de Beaufort (Foto: Israeli Military/Handout via REUTERS)
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247 - Israel ampliou sua ofensiva terrestre no sul do Líbano e assumiu o controle da fortaleza de Beaufort, um dos pontos estratégicos mais importantes da região. A informação foi divulgada pelo Opera Mundi com base em relatos das autoridades israelenses e libanesas.

Neste domingo (31), a bandeira de Israel foi vista hasteada sobre o castelo medieval, uma construção com cerca de 900 anos localizada em uma posição elevada que domina extensas áreas do sul do Líbano e do norte de Israel.

Segundo o Exército israelense, a captura da fortaleza ocorreu após dias de intensos ataques aéreos e confrontos com combatentes do Hezbollah em localidades próximas. A operação representa a incursão mais profunda das forças israelenses em território libanês em 26 anos.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, confirmou a tomada do local, considerado de grande relevância estratégica devido à sua posição geográfica privilegiada. Já o primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, condenou a ofensiva e classificou a ação israelense como uma política de “terra arrasada”.

A captura de Beaufort marca um novo capítulo na guerra entre Israel e Hezbollah, iniciada em 2 de março, quando o grupo libanês lançou foguetes contra o norte de Israel, dois dias após ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Ofensiva ocorre durante cessar-fogo

O avanço israelense acontece apesar do cessar-fogo em vigor desde 17 de abril. A escalada militar também ocorre poucos dias antes de uma nova rodada de negociações diretas entre representantes do Líbano e de Israel, prevista para os dias 2 e 3 de junho no Departamento de Estado dos Estados Unidos.

As duas partes continuam trocando acusações de violações do acordo de trégua. Israel e Hezbollah alegam agir em resposta a supostas infrações cometidas pelo lado adversário, mantendo a tensão elevada ao longo da fronteira.

Importância histórica e militar de Beaufort

Situada sobre colinas com vista para o rio Litani, a fortaleza de Beaufort é considerada um dos marcos históricos mais relevantes do sul do Líbano. Ao longo de quase um milênio, a construção foi utilizada por diferentes forças militares devido à sua posição dominante sobre a região.

Israel já havia ocupado o castelo durante a invasão do Líbano em 1982, mantendo o controle da área até a retirada de suas tropas em 2000. Durante a guerra entre Israel e Hezbollah em 2024, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) incluiu Beaufort entre 34 sítios culturais libaneses que receberam proteção reforçada para evitar danos causados pelo conflito.

Conhecido em árabe como castelo Al-Shaqif, nome derivado de uma expressão siríaca relacionada ao terreno rochoso da região, o monumento está localizado a poucos quilômetros da fronteira israelense.

Em comunicado, o Exército de Israel informou que lançou uma operação na crista de Beaufort e no vale de Suluki com o objetivo de desmontar estruturas do Hezbollah e neutralizar ameaças consideradas diretas à população israelense. A corporação também declarou que suas forças estão prontas “para ampliar a operação, se necessário”.

Israel expande área de combate

Nos últimos dias, as tropas israelenses avançaram para além do rio Litani, que até então funcionava como uma linha de contenção dos confrontos. O governo israelense passou a considerar a área entre os rios Litani e Zahrani como zona de combate e emitiu ordens de evacuação para moradores de amplas áreas do sul libanês.

Parte da população já deixou a região em razão dos bombardeios, mas autoridades locais indicam que ainda há civis em diversas localidades afetadas pelos combates.

As forças israelenses se aproximaram da cidade de Nabatiyeh, um dos principais centros urbanos do sul do Líbano, ficando a cerca de cinco quilômetros do município. Também foram emitidas ordens de evacuação para moradores da cidade costeira de Tiro, a quarta maior do país, e de áreas vizinhas.

Confrontos e ataques seguem na fronteira

O Hezbollah informou ter realizado durante a madrugada dois ataques contra tropas israelenses e um tanque Merkava na cidade de Bayada, próxima à fronteira. Nos últimos dias, o grupo afirmou ter enfrentado militares israelenses em diferentes localidades ao norte do rio Litani, incluindo áreas próximas a Nabatiyeh e à fortaleza de Beaufort.

A agência estatal libanesa National News Agency relatou ataques aéreos em diversos vilarejos do sul do país e informou a existência de vítimas, sem divulgar números.

No sábado, o Hezbollah lançou salvas de foguetes contra o norte de Israel, incluindo a cidade de Kiryat Shmona. O grupo também tem utilizado drones de fibra óptica, tecnologia considerada de difícil detecção pelas forças israelenses.

De acordo com o Exército de Israel, quase 200 alertas foram emitidos entre sábado e domingo para moradores do norte do país devido à presença de drones e mísseis.

Desde o início da atual fase do conflito, os combates já provocaram 3.350 mortes no Líbano e mais de um milhão de deslocados. Segundo o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ao menos 25 soldados israelenses e um contratado do setor de Defesa morreram em operações no sul do Líbano ou em áreas próximas. Dois civis também perderam a vida no norte de Israel.

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