Israel assassina 19 pessoas em Gaza em mais uma violação do cessar-fogo
Ataques atingem civis, crianças e estruturas policiais enquanto detenções e ações violentas de israelenses prosseguem na Cisjordânia
247 - Ao menos 19 palestinos foram assassinados em novos ataques israelenses realizados desde a madrugada deste sábado (31), na Faixa de Gaza, em mais uma violação do cessar-fogo em vigor desde outubro. Entre as vítimas estão crianças e civis deslocados, atingidos por bombardeios em diferentes regiões do território palestino, segundo fontes médicas locais.
As informações foram divulgadas pela rede Al Jazeera, com base em relatos de hospitais e autoridades de saúde em Gaza. Profissionais do hospital al-Shifa, na Cidade de Gaza, informaram que pelo menos sete pessoas morreram após um ataque aéreo israelense contra um quartel-general da polícia no bairro de Sheikh Radwan. Outros bombardeios deixaram mortos no centro do território e na área de al-Mawasi, no sul de Gaza.
De acordo com fontes médicas ouvidas pela Al Jazeera, um ataque israelense atingiu uma tenda que abrigava pessoas deslocadas na região de al-Mawasi, próxima à cidade de Khan Younis, matando ao menos sete palestinos, incluindo três crianças. Os corpos foram levados ao Complexo Médico Nasser. Na Cidade de Gaza, equipes de emergência relataram a morte de cinco pessoas, entre elas três crianças, após um bombardeio contra um prédio residencial no bairro de Remal.
O Hamas classificou a ofensiva como uma escalada perigosa e uma violação deliberada do acordo de cessar-fogo e acusou Israel de manipulação do acordo, quatro meses após sua entrada em vigor.
O Escritório de Comunicação do Governo de Gaza declarou que mais de 500 palestinos foram mortos por forças israelenses desde que o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos passou a valer, em 10 de outubro. Já o Ministério da Saúde local informou que, nas últimas 48 horas, 17 pessoas morreram e 49 ficaram feridas em decorrência dos ataques. Desde o início do cessar-fogo, o número de mortos chegou a 509, com 1.405 feridos, além da recuperação de 715 corpos no mesmo período.
O balanço acumulado desde o início da guerra, em 7 de outubro de 2023, aponta 71.769 mortos e 171.483 feridos em Gaza, segundo o ministério palestino.
Paralelamente à ofensiva em Gaza, forças israelenses intensificaram ações na Cisjordânia ocupada. O Escritório de Mídia dos Prisioneiros Palestinos (ASRA) informou que 13 palestinos, incluindo uma menina, foram presos durante operações em diferentes localidades. Duas detenções ocorreram na província de Jenin, após incursões no distrito de Jabal Abu Dhahir, enquanto outras 11 pessoas foram presas na cidade de Azzun, na província de Qalqilya.
Também foram registrados novos episódios de violência de colonos israelenses. Segundo a agência Wafa, uma família palestina foi forçada a deixar a vila de al-Auja, ao norte de Jericó, após repetidos ataques. A organização de direitos humanos Al-Baidar afirmou que o assédio contínuo de colonos já provocou o deslocamento de dezenas de famílias na região. Em Hebron, forças israelenses fecharam a área de Bab al-Zawiya para garantir a entrada de colonos em um local reivindicado como sítio arqueológico, obrigando comerciantes a fechar lojas e moradores a deixarem o local.
Os ataques mais recentes ocorrem às vésperas da reabertura da passagem de Rafah, ponto estratégico para a entrada e saída de pessoas e ajuda humanitária, enquanto aumentam as denúncias internacionais sobre o impacto da ofensiva israelense sobre a população civil palestina.


