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Itamaraty vê sinais tranquilizadores da equipe de Trump antes de reunião com Lula

Apesar do clima descrito como favorável, diplomatas mantêm cautela diante do perfil de Trump

Lula e Trump (Foto: Ricardo Stuckert)

247 - O presidente Lula e Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, devem se reunir na quinta-feira (7) em um encontro com foco em comércio, segurança e na investigação norte-americana contra o Brasil, em meio a sinais considerados positivos pela diplomacia brasileira, segundo informações da coluna de Mônica Bergamo, na Folha de São Paulo.

Diplomatas que acompanharam as conversas preparatórias entre as equipes dos dois governos avaliam que a reunião tende a seguir um roteiro previamente definido e a dar continuidade a uma sequência de contatos amistosos entre os mandatários.

Apesar do clima descrito como favorável, integrantes do Itamaraty mantêm cautela diante do perfil de Trump. Um dos diplomatas ouvidos pela coluna afirmou que, por se tratar do atual presidente dos Estados Unidos, é necessário estar preparado para eventuais mudanças de última hora no diálogo. Ainda assim, os sinais enviados por Washington foram classificados como tranquilizadores.

Casa Branca recoloca Lula na agenda

Um dos gestos avaliados positivamente pela diplomacia brasileira foi a decisão de Trump de incluir rapidamente o encontro com Lula em sua agenda internacional após a retomada parcial das reuniões externas, que haviam sido afetadas pela guerra contra o Irã.

A reunião ocorrerá na sequência da visita de Estado do rei Charles à Casa Branca. O encontro entre Lula e Trump estava previsto inicialmente para março, mas acabou suspenso em razão do conflito no Oriente Médio.

Investigação comercial preocupa o Brasil

A principal prioridade brasileira deve ser a tentativa de convencer a administração Trump a encerrar a investigação da Seção 301 contra o Brasil. Esse mecanismo permite ao governo dos Estados Unidos analisar e punir práticas comerciais estrangeiras consideradas injustas ou prejudiciais aos interesses norte-americanos.

Caso Washington conclua que há práticas desse tipo por parte do Brasil, o país poderá ser alvo de tarifas e outras medidas de retaliação. Por isso, o tema é tratado como sensível pelo governo Lula e deve ocupar espaço relevante na conversa entre os presidentes.

Pix e desmatamento entraram nas conversas

Antes da reunião presidencial, uma equipe brasileira de alto nível viajou aos Estados Unidos para tratar dos pontos investigados. Entre os argumentos apresentados, o governo brasileiro destacou que o desmatamento vem caindo no país desde 2022, tema que integra o conjunto de questões sob análise norte-americana.

Outro ponto abordado foi o Pix, sistema de pagamentos instantâneos brasileiro que também está sob escrutínio dos Estados Unidos. A equipe brasileira argumentou que, embora o sistema possa afetar administradoras de cartão de crédito, essas mesmas empresas também se beneficiam da entrada de milhões de brasileiros no sistema bancário.

Segundo essa avaliação, ao abrir uma conta corrente, esses novos clientes passam a receber cartões de débito com bandeiras das mesmas operadoras, o que amplia a base de usuários dessas empresas no Brasil.

Além da investigação comercial, Lula deve tratar com Trump da exploração de terras raras no Brasil, tema considerado de interesse prioritário para os Estados Unidos. A pauta se soma a questões de segurança e comércio, que devem estruturar a conversa bilateral.

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