Keir Starmer deve anunciar renúncia ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido, diz jornal
Pressão interna no Partido Trabalhista cresce após avanço político de Andy Burnham e mais de cem parlamentares já defendem mudança na liderança
247 - O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, deverá anunciar sua renúncia na próxima segunda-feira (22) e apresentar um cronograma para sua saída do cargo, segundo informações publicadas pelo jornal britânico The Observer. A possível decisão ocorre em meio a uma crescente crise interna no Partido Trabalhista, que enfrenta divisões cada vez mais evidentes sobre a continuidade de sua liderança.
De acordo com a reportagem do periódico britânico, Starmer passou os últimos dias refletindo sobre seu futuro político e discutindo o tema com familiares em sua residência oficial de campo, em Chequers. O movimento ocorre após uma série de pressões vindas de diferentes alas da legenda.
A situação se agravou nesta semana com a vitória eleitoral de Andy Burnham, um dos principais nomes do trabalhismo britânico e atual prefeito de Manchester. Com a conquista de uma cadeira no Parlamento, Burnham passa a reunir as condições necessárias para lançar formalmente uma candidatura à liderança do partido, ampliando as especulações sobre uma possível disputa interna.
Nos últimos meses, a contestação ao comando de Starmer vinha crescendo de forma gradual, mas ganhou força nos últimos dias. Mais de cem parlamentares trabalhistas — cerca de um quarto da bancada da legenda na Câmara dos Comuns — já manifestaram publicamente o desejo de que o primeiro-ministro deixe o cargo ou, ao menos, estabeleça uma data para sua saída.
Segundo relatos publicados pela imprensa britânica, o número de deputados dispostos a apoiar uma candidatura de Burnham pode ser significativamente maior. Um parlamentar ouvido pelos veículos locais estimou que aproximadamente 200 integrantes do Partido Trabalhista estariam preparados para assinar os documentos necessários para formalizar uma disputa pela liderança.
A pressão não se limita aos setores mais jovens da legenda. Figuras históricas do Partido Trabalhista também passaram a defender publicamente uma transição organizada. Entre elas estão os veteranos David Blunkett e Harriet Harman, que se manifestaram a favor da abertura de um processo de sucessão que permita a renovação da liderança sem aprofundar as divisões internas.
Fontes partidárias afirmam que, caso Starmer não apresente uma solução até o início da próxima semana, o tema deverá dominar a próxima reunião de gabinete, transformando a pressão dos bastidores em um confronto político mais explícito.
Apesar da intensificação das especulações, o primeiro-ministro tem rejeitado a possibilidade de deixar o cargo. Na sexta-feira (19), ele entrou em contato com integrantes do governo para reafirmar sua intenção de permanecer à frente do Executivo britânico.
Questionado por jornalistas sobre uma eventual disputa interna pela liderança trabalhista, Starmer afirmou que pretende concorrer caso seja desafiado. O premiê também alertou para os riscos de uma batalha interna em um momento delicado para o país, argumentando que uma disputa pelo comando do partido poderia provocar instabilidade política e aprofundar as tensões no cenário nacional.


