Líder do Hezbollah diz que israel falhou em objetivos militares no Líbano
Para Naim Qassem, resistência segue forte após ofensiva que causou com centenas de mortos
247 - O líder do Hezbollah, Sheikh Naim Qassem, afirmou que Israel falhou em atingir seus objetivos militares no Líbano, destacando a atuação da resistência e o impacto da ofensiva que deixou centenas de mortos após intensos ataques aéreos no país. Em meio à escalada da guerra, ele também acusou as forças israelenses de ampliar ações contra civis em diversas regiões libanesas.
As declarações foram divulgadas pelo portal Al Mayadeen, que teve acesso à carta enviada por Qassem ao povo libanês. No documento, o dirigente sustenta que as forças israelenses não conseguiram concretizar a invasão terrestre anunciada e enfrentam resistência ativa em várias frentes.
Segundo Qassem, “o inimigo, Israel, fracassou no campo de batalha contra os heróis da resistência e não conseguiu realizar a invasão terrestre que anunciou repetidamente”, apontando uma desconexão entre os planos militares e os resultados obtidos. Ele também afirmou que houve mudanças frequentes nos objetivos de guerra por parte de Israel, o que, segundo ele, evidencia falta de consistência estratégica.
“O inimigo foi surpreendido pelas táticas da resistência, pela flexibilidade dos movimentos dos mujahidin e por suas capacidades defensivas”, declarou.
O líder do Hezbollah rejeitou ainda qualquer possibilidade de retorno ao cenário anterior ao conflito. “Não haverá retorno ao status quo anterior”, afirmou, ao defender que o Líbano não deve fazer concessões políticas ou militares. Ele acusou Israel de intensificar ataques contra civis em várias regiões do país, incluindo Beirute, o sul, o Vale do Bekaa e o Monte Líbano.
“O inimigo recorreu a crimes sangrentos em Beirute, nos subúrbios do sul, no sul do país, no Vale do Bekaa, no Monte Líbano e em todos os lugares, tendo como alvo civis”, disse.
Qassem também destacou que, apesar de mais de 40 dias de confrontos, Israel não conseguiu conter os contra-ataques da resistência. “A ocupação falhou em todas as suas agressões ao longo de mais de 40 dias em impedir que foguetes, projéteis e drones atinjam seus assentamentos próximos e distantes”, afirmou.
Ele acrescentou que uma eventual mobilização de grande escala não alteraria o cenário no campo de batalha. “Mobilizar 100 mil soldados não ajudará o inimigo israelense a conquistar a ocupação; em vez disso, eles se transformarão em cadáveres e partes de corpos, e aqueles que permanecerem no campo de batalha viverão com medo”, declarou.
Ao comentar a situação interna do Líbano, o dirigente ressaltou a resiliência da população diante da crise humanitária provocada pela guerra. “O povo libanês é muito mais resiliente do que o inimigo acredita. Os deslocados deram um exemplo de orgulho, e aqueles que os acolheram demonstraram a mais nobre forma de cidadania e humanidade”, afirmou.
Qassem também enfatizou o papel dos combatentes no terreno. “Os combatentes na linha de frente são uma barreira impenetrável que destruiu os sonhos e as aspirações dos sionistas”, disse, acrescentando que as operações continuarão. “A resistência continuará até o último suspiro, e a maneira como os jovens correm para o campo de batalha inspira esperança e dignidade.”
Ele concluiu relacionando o conflito a um compromisso prolongado com os objetivos nacionais. “Os sacrifícios nos tornam ainda mais determinados a libertar nossa pátria e defender nossa dignidade”, declarou.
Enquanto isso, o cenário no Líbano se agravou com uma onda de ataques aéreos israelenses de grande escala. Segundo informações da Defesa Civil Libanesa, cerca de 150 bombardeios foram realizados em apenas duas horas, atingindo áreas como Beirute, o sul do país, o Vale do Bekaa e o Monte Líbano.
De acordo com os dados divulgados, 254 pessoas morreram e 1.165 ficaram feridas. Só na capital, foram registradas 92 mortes e 742 feridos, com forte impacto também em bairros densamente povoados dos subúrbios ao sul da cidade. Outras regiões, como Nabatieh, Saida e Tiro, também registraram dezenas de vítimas, evidenciando a intensidade e a amplitude da ofensiva.


