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Macron culpa Hezbollah e isenta agressores israelenses de responsabilidade por nova guerra no Líbano

Presidente francês afirma que o movimento da Resistência deve “interromper escalada”

Presidente francês Emmanuel Macron - 13/8/2025 (Foto: PHILIPPE MAGONI/Pool via Reuters)

247 - O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou neste sábado, em post na rede social X, que o Líbano precisa evitar um mergulho no caos em meio à escalada militar no país, atribuindo ao Hezbollah a responsabilidade pela deterioração da situação. O inquilino do Palácio do Eliseu ignora o papel central da ofensiva israelense e dos bombardeios que já provocaram a morte de mais de 800 pessoas e o deslocamento forçado de cerca de 900 mil civis libaneses.

Na mensagem publicada na rede social X, Macron relatou conversas realizadas na véspera com o presidente libanês, Joseph Aoun, o primeiro-ministro Nawaf Salam e o presidente do Parlamento, Nabih Berri. No texto, o líder francês defende negociações diretas entre Líbano e Israel e afirma que a França estaria disposta a sediar as conversações em Paris.

Apesar de reconhecer que Israel realiza ataques maciços no território libanês, Macron concentrou suas críticas no Hezbollah, movimento político e militar que integra o cenário político do país. “Todas as medidas possíveis devem ser tomadas para evitar que o Líbano mergulhe no caos. O Hezbollah deve interromper imediatamente a perigosa deterioração que está causando”, escreveu.

A declaração é parte de uma narrativa diplomática comum entre países imperialistas ocidentais, que frequentemente responsabilizam o Hezbollah pelo agravamento do conflito, mesmo diante da intensidade da agressão militar israelense no Líbano. O posicionamento também contrasta com relatos humanitários sobre o impacto dos bombardeios israelenses na população civil.

No mesmo texto, Macron reconheceu a dimensão da crise humanitária em curso e pediu contenção por parte de Tel Aviv. “Israel deve renunciar a um ataque em grande escala e cessar os ataques massivos, num momento em que centenas de milhares de pessoas já fugiram dos bombardeios”, afirmou.

O presidente francês também indicou que o governo libanês estaria disposto a iniciar negociações diretas com Israel, envolvendo representantes de diferentes setores do Estado. Segundo ele, esse processo poderia abrir caminho para um cessar-fogo e para uma solução mais duradoura para o conflito.

“Israel deve aproveitar esta oportunidade, iniciar negociações e promover um cessar-fogo, encontrar uma solução sustentável e permitir que as autoridades libanesas cumpram suas obrigações em relação à soberania do Líbano”, escreveu Macron.

A França, tradicionalmente envolvida em iniciativas diplomáticas no Oriente Médio e com históricos laços políticos com o Líbano, ofereceu-se para facilitar o diálogo. “A França está pronta para ajudar a realizar essas discussões e sediá-las em Paris”, declarou o presidente.

As declarações ocorrem em meio ao agravamento das tensões na fronteira entre Israel e Líbano, cenário marcado por ataques aéreos, deslocamentos populacionais em massa e o risco de uma guerra regional de maiores proporções. Enquanto líderes ocidentais pedem negociações e contenção, organizações humanitárias alertam para a rápida deterioração da situação no território libanês e para o impacto crescente da ofensiva militar sobre a população civil.

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