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Ministro da Saúde britânico deixa cargo e amplia pressão sobre Keir Starmer no Partido Trabalhista

Wes Streeting renuncia ao governo do Reino Unido e defende debate interno sobre o futuro da legenda após derrota histórica em eleições locais

O ex-secretário de Estado da Saúde e Assistência Social do Reino Unido, Wes Streeting. (Foto: REUTERS/Jaimi Joy)
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247 - O ministro da Saúde do Reino Unido, Wes Streeting, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (14) e intensificou a crise política enfrentada pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, dentro do Partido Trabalhista. As informações foram divulgadas inicialmente pela agência Reuters.

A saída de Streeting ocorre em meio ao desgaste do governo após os maus resultados do Partido Trabalhista nas eleições locais realizadas na semana passada. A derrota aprofundou as críticas internas à liderança de Starmer, que assumiu o governo há menos de dois anos com a promessa de restaurar a estabilidade política no país.

Em carta de demissão, Streeting afirmou que decidiu deixar o ministério porque “agora está claro que você (Starmer) não liderará o Partido Trabalhista nas próximas eleições gerais”.

Apesar da renúncia e do tom crítico adotado, o ex-ministro não formalizou uma disputa direta pela liderança da legenda. Ainda assim, o gesto aumentou a pressão sobre Starmer, que já vinha enfrentando pedidos públicos e reservados para deixar o comando do partido ou estabelecer um cronograma para sua saída.

Na carta, Streeting argumentou que o debate sobre o futuro do Partido Trabalhista deve ser conduzido de forma ampla. “Agora está claro (...) que os parlamentares trabalhistas e os sindicatos trabalhistas querem que o debate sobre o que vem a seguir seja uma batalha de ideias, não de personalidades ou facções mesquinhas”, escreveu.

Ele acrescentou: “Ele (o debate) precisa ser amplo e precisa do melhor campo possível de candidatos”.

As críticas ao primeiro-ministro também atingiram diretamente a condução política do governo. “Onde precisamos de visão, temos um vácuo. Onde precisamos de direção, temos uma deriva”, afirmou Streeting ao comentar o discurso feito por Starmer na segunda-feira, tentativa do premiê de conter a rebelião interna.

O ex-ministro ainda acusou o líder britânico de transferir responsabilidades aos aliados políticos. “Os líderes assumem a responsabilidade, mas muitas vezes isso significa que outras pessoas caem sobre suas espadas”, declarou.

Segundo uma fonte próxima a Streeting ouvida pela Reuters, o agora ex-ministro tinha apoio suficiente para iniciar um desafio formal contra Starmer, mas optou por não avançar imediatamente com a disputa por considerar mais adequado estabelecer uma transição organizada dentro do partido.

Mesmo diante da crescente pressão, Keir Starmer tem afirmado que continuará lutando para permanecer no cargo. Integrantes próximos ao primeiro-ministro disseram que ele está disposto a enfrentar qualquer disputa interna, inclusive contra figuras de destaque do próprio governo e da ala mais à esquerda do Partido Trabalhista.

A crise política teve reflexos no mercado financeiro. Após o anúncio da renúncia de Streeting, a libra esterlina registrou queda diante do aumento das incertezas sobre a estabilidade do governo britânico.

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