Crise no Reino Unido pressiona Starmer, que descarta renúncia
Premiê britânico enfrenta rebelião no governo e no Partido Trabalhista
247 - O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou nesta terça-feira (12) a integrantes da cúpula de seu governo que não pretende renunciar, em meio a uma crise política que ampliou a pressão sobre sua permanência no cargo. A declaração ocorreu durante uma reunião emergencial de gabinete, convocada após uma série de pedidos para que o premiê entregue o comando do governo.
As informações são da BBC e do jornal britânico The Telegraph. Starmer defendeu diante dos ministros que uma renúncia neste momento poderia aprofundar a instabilidade política no país e afirmou que o Partido Trabalhista deveria concentrar esforços na reconstrução do governo.
A reunião ocorreu em um momento de forte desgaste para o premiê britânico. Nos últimos dias, Starmer passou a enfrentar cobranças públicas de parlamentares e integrantes do próprio governo para deixar o cargo. De acordo com as informações divulgadas, ao menos 81 parlamentares já defenderam publicamente sua saída.
Durante o encontro com ministros, Starmer teria argumentado que o mecanismo interno do Partido Trabalhista para iniciar sua sucessão ainda não foi acionado. Segundo a BBC, ele também desafiou seus auxiliares a apresentarem um nome capaz de disputar a liderança com ele.
A crise ganhou novo peso após o The Telegraph informar, citando fontes do gabinete, que seis ministros de alta cúpula estariam entre os que pediriam a renúncia do primeiro-ministro. A lista mencionada pelo jornal inclui a ministra do Interior, Shabana Mahmood, o ministro da Defesa, John Healey, o ministro da Energia, Ed Miliband, a ministra da Cultura, Lisa Nandy, a ministra das Relações Exteriores, Yvette Cooper, e o ministro da Saúde, Wes Streeting.
A pressão interna ocorre em meio a uma crise descrita como sem precedentes no atual governo britânico. Além das movimentações no Parlamento, a situação se agravou com a renúncia de uma ministra, que também pediu a Starmer que dê início a uma transição de poder.
Apesar das cobranças, o premiê indicou aos ministros que pretende resistir politicamente. A posição apresentada na reunião sinaliza que Starmer tentará manter o controle do governo e evitar que o debate sobre sua sucessão avance dentro do Partido Trabalhista.
Segundo a BBC, o primeiro-ministro sustentou que o foco do partido deve ser a recuperação da capacidade de governar. Para Starmer, uma saída imediata não resolveria a crise e poderia ampliar o cenário de incerteza no Reino Unido.
O impasse coloca o governo britânico diante de uma disputa interna de grandes proporções. De um lado, parlamentares e ministros pressionam por uma mudança de liderança. De outro, Starmer tenta demonstrar que ainda reúne condições políticas para permanecer no cargo e conduzir uma reorganização de seu governo.
A reunião emergencial desta terça-feira se tornou, assim, um teste decisivo para a autoridade do premiê. A continuidade de Starmer dependerá da evolução da pressão dentro do Partido Trabalhista e da capacidade do primeiro-ministro de conter novas deserções entre seus aliados mais próximos.



