Ministro das Relações Exteriores da China alerta contra o desafio do Japão à ordem internacional
Em Munique, chanceler Wang Yi critica declarações japonesas sobre Taiwan e diz que posição ameaça soberania chinesa e compromissos históricos
247 - O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, afirmou neste sábado (14) que Pequim vê com preocupação declarações recentes da liderança japonesa sobre Taiwan, classificando-as como um desafio direto à soberania chinesa e à ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial. A manifestação ocorreu durante a sessão “A China no Mundo”, na 62ª Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha.
A informação foi divulgada pela agência noticiosa chinesa Xinhua, que acompanhou o discurso e a sessão de perguntas e respostas do chefe da diplomacia chinesa. Wang Yi também integra o Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista Chinês.
Ao responder a questionamentos sobre uma eventual responsabilidade da China pelo aumento das tensões na região Ásia-Pacífico, Wang afirmou que não concorda com a avaliação de que o cenário regional esteja em deterioração. Segundo ele, “apenas a Ásia mantém uma paz generalizada” no atual contexto global. O chanceler citou ainda conflitos recentes, como os confrontos na fronteira entre Camboja e Tailândia, que, de acordo com ele, foram rapidamente contidos graças ao esforço conjunto das partes envolvidas, com papel relevante da China.
Wang Yi declarou que o país “se tornou um pilar da paz na Ásia” e que continuará atuando de forma construtiva para a estabilidade regional, além de se posicionar como uma força significativa em prol da paz global.
Apesar disso, o ministro reconheceu que a região enfrenta desafios e direcionou críticas ao Japão. Ele mencionou que a primeira-ministra japonesa afirmou publicamente que qualquer contingência no Estreito de Taiwan poderia ser considerada uma suposta “situação de ameaça à sobrevivência” do Japão, o que levaria Tóquio a exercer o direito de autodefesa coletiva.
“Esta é a primeira vez em 80 anos, desde a guerra, que um primeiro-ministro japonês faz uma declaração tão ultrajante publicamente”, afirmou Wang. Segundo ele, esse tipo de posicionamento “desafia diretamente a soberania nacional da China, a ordem internacional pós-guerra na qual Taiwan foi devolvida à China e os compromissos políticos assumidos pelo Japão com a China”. O chanceler enfatizou que a China “certamente não aceitará isso, e nem os 1,4 bilhão de chineses”.
No discurso em Munique, Wang também comparou o tratamento dado ao passado histórico por Japão e Alemanha após a Segunda Guerra Mundial. Ele destacou que a Alemanha promoveu uma ampla responsabilização pelo fascismo e adotou leis que proíbem a promoção do nazismo. Em contraste, o Japão mantém criminosos de guerra de Classe A em santuários onde políticos prestam homenagens, reverenciando-os como “almas heroicas”. “Tal fenômeno é impensável na Europa”, disse, classificando-o como “a raiz de todos os problemas”.
De acordo com Wang, as declarações da liderança japonesa sobre Taiwan indicam que a ambição histórica de invasão e colonização da ilha não teria sido superada, e que “o fantasma do militarismo ainda persiste”. Ele recordou que, no passado, o Japão justificou a agressão contra a China e o ataque a Pearl Harbor, nos Estados Unidos, sob o argumento de uma suposta “situação de ameaça à sobrevivência”.
“As lições da história não estão longe e devem ser examinadas com atenção”, afirmou. Wang advertiu que, se o Japão não demonstrar arrependimento, poderá repetir erros do passado. Ele também apelou para que o povo japonês não se deixe “cegar e coagir novamente por forças de extrema-direita e ideologias extremistas”.
Por fim, o chanceler chinês conclamou os países que defendem a paz a enviarem um alerta ao Japão: “se tentar voltar ao seu caminho, provocará a sua própria destruição, e se arriscar mais uma vez, será derrotado mais rapidamente e sofrerá uma perda ainda maior”.


