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Movimentos bolsonaristas nos EUA ameaçam aproximação entre Lula e Trump

Articulações de bolsonaristas em Washington e visita de assessor do governo Trump ao Brasil levantam dúvidas sobre avanço das relações entre os dois países

Lula e Trump se reúnem na Malásia 26/10/2025 REUTERS/Evelyn Hockstein (Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein)

247 - Movimentos recentes ligados ao bolsonarismo nos Estados Unidos passaram a gerar apreensão no governo brasileiro e podem comprometer o processo de aproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo a CNN Brasil, os bastidores do Palácio do Planalto, a avaliação é que a retomada de articulações políticas em Washington pode interferir no diálogo diplomático que vinha sendo construído entre os dois países.

O Planalto aponta sinais de fortalecimento de interlocutores alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro dentro do Departamento de Estado e da Casa Branca. A leitura de integrantes do governo Lula é de que esse movimento está ligado ao cenário eleitoral brasileiro e pode influenciar o relacionamento bilateral.

Viagem de assessor do governo trump amplia tensão diplomática

Outro elemento que intensificou a preocupação em Brasília foi a viagem ao Brasil de Darren Beattie, assessor do governo Trump e integrante do Departamento de Estado. Segundo avaliação de diplomatas ouvidos pela reportagem, o deslocamento ocorre em meio ao fortalecimento da ala MAGA (“Make America Great Again”), considerada a vertente mais radical da base política do presidente dos Estados Unidos.

Integrantes do Itamaraty avaliam que a agenda oficial anunciada para a viagem poderia funcionar como cobertura para um encontro com Jair Bolsonaro. A possibilidade ganhou destaque porque Beattie mantém proximidade política com aliados do ex-presidente brasileiro, especialmente com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Inicialmente, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a visita de Beattie a Bolsonaro na Papudinha, unidade prisional onde o ex-presidente se encontra. No entanto, a decisão foi posteriormente revista após manifestação do Ministério das Relações Exteriores.

Itamaraty alerta para possível ingerência externa

Em ofício encaminhado ao STF, o chanceler Mauro Vieira afirmou que a reunião entre um representante do governo norte-americano e um ex-presidente brasileiro em período eleitoral poderia configurar interferência externa na política nacional.

“A visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-Presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”, declarou o ministro das Relações Exteriores.

Vieira também informou que, até a quarta-feira anterior à decisão, não havia qualquer agenda diplomática previamente estabelecida envolvendo o assessor norte-americano. Segundo o chanceler, o pedido de encontro com Bolsonaro não constava dos objetivos oficialmente comunicados pelo Departamento de Estado.

Agenda oficial não incluía encontro com bolsonaro

De acordo com o Itamaraty, a viagem de Beattie foi informada por meio de nota diplomática enviada em 10 de março. O roteiro prevê chegada a Brasília no dia 16, deslocamento para São Paulo no dia seguinte e retorno aos Estados Unidos no dia 18.

O chanceler destacou ainda que o visto foi concedido com base em justificativas relacionadas à participação do funcionário em eventos destinados a fortalecer as relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos.

“O visto de entrada foi concedido com base em pedido que indicava a participação do funcionário do Departamento de Estado em evento para promover as relações bilaterais e em reuniões oficiais”, explicou Mauro Vieira.

Histórico de críticas a Moraes

Darren Beattie também é citado por autoridades brasileiras como um dos articuladores de possíveis sanções contra Alexandre de Moraes com base na chamada Lei Magnitsky, legislação norte-americana usada para punir autoridades estrangeiras acusadas de violações de direitos humanos.

Em publicações feitas nas redes sociais no ano passado, o assessor classificou Moraes como “o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição direcionado a Bolsonaro e seus apoiadores”.

No governo Trump, Beattie passou a ocupar funções relevantes dentro do Departamento de Estado e foi designado para acompanhar temas relacionados ao Brasil.

Proposta sobre facções criminosas gera alerta

Além da visita do assessor norte-americano, outro ponto que provocou preocupação no governo brasileiro foi a retomada, nos Estados Unidos, da proposta de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

Integrantes do governo Lula e do Partido dos Trabalhadores avaliam que a iniciativa poderia ser usada para influenciar o cenário político brasileiro em meio à corrida presidencial. A proposta, rejeitada pelo Palácio do Planalto por considerar riscos à soberania nacional, conta com apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência da República.

Diplomacia tenta preservar diálogo entre os países

Apesar das tensões, o governo brasileiro tenta preservar o canal de diálogo com Washington. No domingo anterior, Mauro Vieira conversou com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, sobre possibilidades de cooperação no combate ao crime organizado.

Nos bastidores da diplomacia, a estratégia é manter a interlocução ativa até que ocorra um encontro direto entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, previsto inicialmente para março, mas ainda sem data confirmada.

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