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Mundo se despede de 2025 com fogos, homenagens e apelos por paz

Celebrações de Ano-Novo misturam tradição, segurança reforçada e apelos por paz em meio a um ano marcado por tensões e tragédias

Celebração do réveillon em Copacabana (Foto: Reuters)

247 – De Sydney ao Rio de Janeiro, celebrações de Ano-Novo misturam tradição, segurança reforçada e apelos por paz em meio a um ano marcado por tensões e tragédias

O mundo virou o calendário de 2025 para 2026 entre fogos de artifício, rituais centenários e cenas que alternaram alegria e sobriedade. Em diferentes fusos horários, multidões foram às ruas para celebrar a chegada do novo ano, muitas delas também expressando o desejo de que 2026 traga paz e estabilidade após um período descrito por muitos como difícil e turbulento.

Segundo a agência Reuters, a virada aconteceu em uma sequência que começou nas ilhas próximas à Linha Internacional de Data, no Pacífico, como Kiritimati (Ilha Christmas), Tonga e Nova Zelândia, e terminou em grandes centros como Nova York, onde pessoas enfrentaram temperaturas abaixo de zero para acompanhar a tradicional descida da bola em Times Square.

Sydney abre 2026 com espetáculo e silêncio em homenagem a vítimas

Na Austrália, Sydney manteve sua tradição de inaugurar o ano com uma das maiores queimas de fogos do planeta. O show pirotécnico se espalhou por cerca de 7 quilômetros entre edifícios e balsas no porto, com um efeito de “cachoeira” lançado da icônica Sydney Harbour Bridge. A celebração, porém, ocorreu sob presença policial reforçada, semanas após um ataque armado que matou 15 pessoas em um evento judaico na cidade.

A organização do evento promoveu um minuto de silêncio às 23h, em homenagem às vítimas. A ponte foi iluminada de branco, e uma menorá, símbolo do judaísmo, foi projetada em seus pilares. Antes das celebrações, a prefeita de Sydney, Clover Moore, destacou o sentido coletivo da cerimônia: “After a tragic end to the year for our city, we hope that New Year's Eve will provide an opportunity to come together and look with hope for a peaceful and happy 2026.”

Seul faz soar sino 33 vezes para “expulsar o azar” e pedir prosperidade

Na Coreia do Sul, milhares se reuniram no pavilhão do sino Bosingak, em Seul, para acompanhar uma tradição profundamente ligada à cosmologia budista. À meia-noite, um sino de bronze foi tocado 33 vezes, em referência aos 33 céus, num ritual que simboliza a expulsão do infortúnio e a chegada de paz e prosperidade para o novo ano.

Muralha da China recebe tambores e clima de “ano do cavalo”

Na China, houve comemorações e uma apresentação com tambores no desfiladeiro de Juyong, na Grande Muralha, nos arredores de Pequim. Pessoas usaram adereços e ergueram placas com “2026” e o símbolo de um cavalo, antecipando o clima do Ano do Cavalo, que chega em fevereiro no calendário lunar chinês.

Hong Kong cancela fogos após incêndio e aposta em show de luzes

Em Hong Kong, a tradicional queima de fogos foi cancelada após um incêndio em um complexo residencial, em novembro, que deixou 161 mortos. No lugar, a cidade realizou um show de luzes com o tema “New hopes, new beginnings”, transformando fachadas no distrito Central em um painel luminoso para marcar a virada.

Croácia celebra virada ao meio-dia e mergulha em lago congelado

Na Croácia, o Ano-Novo começou mais cedo — literalmente. Desde 2000, a cidade de Fuzine faz sua contagem regressiva ao meio-dia, uma tradição que se espalhou para outras regiões do país. As ruas se encheram de música, brindes com champanhe e dança em pleno dia, enquanto alguns participantes, usando gorros de Papai Noel, encararam um mergulho nas águas geladas do Lago Bajer.

Copacabana busca novo recorde em festa de Réveillon no Rio

No Brasil, o calor do verão contrastou com a neve e o frio extremo em outras partes do planeta. No Rio de Janeiro, milhares se reuniram na Praia de Copacabana para o tradicional “Réveillon”, uma combinação de música e fogos que mobiliza moradores e turistas. Organizadores esperavam superar o recorde registrado no Guinness em 2024 como a maior celebração de Ano-Novo do mundo, consolidando a festa carioca como um dos principais eventos globais da data.

Times Square congela, mas mantém ritual da virada em Nova York

Em Nova York, uma das últimas grandes cidades a receber 2026, o clima foi de resistência. Em temperaturas negativas, participantes lotaram Times Square para assistir à descida da bola à meia-noite. A celebração teve fogos e chuva de confetes, e o prefeito Eric Adams acionou o botão de cristal que dá início ao momento mais aguardado da noite.

Atenas aposta em fogos silenciosos para proteger animais e reduzir impactos

Na Grécia, a virada foi mais discreta na região da Acrópole, onde o Parthenon atravessou a noite sem grandes estrondos. A prefeitura de Atenas optou por fogos silenciosos e ambientalmente menos agressivos, citando o sofrimento que explosões barulhentas podem provocar em animais, especialmente pets, além de pessoas sensíveis ao ruído.

Kiev e Moscou viram o ano sob o peso da guerra e esperança por paz

Em meio ao conflito que se aproxima de quatro anos, a chegada de 2026 foi marcada por desejos de paz tanto na Ucrânia quanto na Rússia. Em Moscou, uma mulher que se identificou apenas como Larisa afirmou: “I wish for the war to end, I think that this is the main and most important topic for our country.” Ela disse ter viajado da distante região de Altai Krai para passar as férias com a família na capital russa.

Em Kiev, muitos lamentaram que a paz ainda parecesse distante. Ainda assim, a esperança persistiu — especialmente entre as crianças. Diante de uma árvore de Natal montada em frente à Catedral de Santa Sofia, a ucraniana Olesia, de nove anos, resumiu seu desejo de forma simples e direta: “I think there will be peace in the New Year.”

Um ano que termina com pedidos por esperança

Entre recordes de público, cancelamentos por tragédias e celebrações sob forte esquema de segurança, a virada global para 2026 refletiu um sentimento comum: a busca por novos começos. Em cada fogos, sino, tambor ou mergulho no gelo, o planeta marcou não apenas a passagem do tempo, mas também a tentativa coletiva de deixar para trás um ano difícil e abrir espaço para a esperança.

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