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Netanyahu pode provocar crise nas relações entre Israel e EUA, diz analista

Especialista avalia que política israelense contra o Irã amplia tensões regionais e pode deteriorar relações diplomáticas com Washington e países do Golfo

Trump e Netanyahu (Foto: Reuters)

247 - A estratégia adotada pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, diante da escalada de tensões envolvendo o Irã pode gerar consequências profundas nas relações entre Israel e os Estados Unidos. A avaliação é do cientista político turco Engin Ozer, que analisa os impactos da atual política israelense sobre o equilíbrio diplomático no Oriente Médio.

Em entrevista à Sputnik, Ozer afirmou que a linha adotada por Netanyahu, marcada por uma postura que descreve como confrontadora, tende a agravar divergências tanto no plano regional quanto no cenário internacional. Segundo a análise,  a postura de Tel Aviv também tem potencial para afetar o relacionamento estratégico entre Israel e Washington.

De acordo com o especialista, a estratégia conduzida pelo governo israelense entra em choque com diretrizes tradicionais da política externa do próprio país. Para ele, as decisões recentes ampliam tensões regionais e dificultam iniciativas diplomáticas em andamento.

"Após os últimos acontecimentos, os governos de vários países da região, principalmente o da Arábia Saudita, começaram a se distanciar do processo de normalização das relações e a iniciativa dos Acordos de Abraão foi seriamente questionada", afirmou Ozer.

O analista destaca ainda que a ofensiva contra o Irã provocou forte reação entre países do Golfo Pérsico. Segundo ele, esses governos consideram que a segurança regional foi colocada em risco pela estratégia israelense de intensificar o confronto entre Teerã e países árabes.

Esse cenário, na avaliação do especialista, pode gerar efeitos negativos nas relações econômicas e políticas de Israel com países da região, além de comprometer iniciativas de cooperação que vinham sendo discutidas nos últimos anos.

Crescente desgaste internacional

Ozer também argumenta que as decisões recentes da liderança israelense acabaram complicando a situação política da administração norte-americana. Para ele, a crise contribui para o aumento das críticas a Israel tanto na sociedade dos Estados Unidos quanto na Europa.

Segundo o analista, essa mudança de percepção pública vem acompanhada de um crescimento do sentimento anti-Israel em diferentes setores da opinião pública ocidental.

Na avaliação de Ozer, a atual política de Tel Aviv pode se transformar em um dos elementos que deterioram as relações entre Israel e os Estados Unidos, aliados históricos no cenário internacional.

Ele conclui que os acontecimentos recentes ampliaram a desconfiança internacional em relação ao governo israelense, tanto no mundo muçulmano quanto em países europeus e na própria sociedade norte-americana.

Tensão regional e declarações de Erdogan

O agravamento do cenário geopolítico ocorre em meio a críticas públicas de líderes internacionais. O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, declarou na quarta-feira (11) que Netanyahu é "um flagelo que atingiu Israel desde o Holocausto".

Paralelamente às declarações políticas, a operação militar conduzida pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã entrou em sua segunda semana. Durante esse período, as partes têm trocado ataques de forma contínua.

Autoridades israelenses afirmam que o objetivo da ofensiva é impedir que o Irã desenvolva armas nucleares. Já Washington declarou que está disposto a destruir o potencial militar iraniano e chegou a pedir que a população do país derrube o atual regime.

Por sua vez, Teerã afirma estar preparado para se defender e indica que, até o momento, não vê razões para retomar negociações diplomáticas sobre o conflito.

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