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Papa Leão XIV defende civis e cobra solução pacífica no Líbano

Pontífice afirma estar próximo do povo libanês e cobra obrigação moral de proteger civis diante da escalada entre Israel e Hezbollah

O Papa Leão XIV realiza a audiência geral semanal na Praça de São Pedro, no Vaticano, em 8 de abril de 2026. (Foto: REUTERS/Remo Casilli)

247 - O Papa Leão XIV cobrou, neste domingo (12), a proteção da população civil em meio à guerra no Líbano, destacando sua proximidade com o povo do país e reforçando a necessidade de uma solução pacífica para o conflito. A declaração ocorre em um cenário de intensificação dos confrontos entre Israel e o movimento xiita Hezbollah, com impactos diretos sobre civis.

O pronunciamento foi feito durante a oração Regina Coeli, na Praça de São Pedro, no Vaticano, diante de milhares de fiéis.

Durante o discurso, o pontífice destacou o sofrimento da população libanesa e reiterou a responsabilidade internacional de proteger civis em zonas de guerra. “Estou mais próximo do que nunca, nestes dias de tristeza, medo e esperança inabalável em Deus, do amado povo libanês”, afirmou.

Na sequência, o líder da Igreja Católica enfatizou a dimensão ética e jurídica da crise: “O princípio da humanidade, inscrito na consciência de cada pessoa e reconhecido pelo direito internacional, implica a obrigação moral de proteger a população civil dos efeitos atrozes da guerra”.

O Líbano foi arrastado para o conflito regional após a intensificação das operações militares israelenses contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã. De acordo com autoridades locais, mais de 2 mil pessoas morreram em cerca de um mês de confrontos. Organizações internacionais, como o Unicef, têm alertado para a necessidade urgente de proteger crianças e adolescentes expostos à violência.

O discurso do Papa ocorre em um momento de impasse diplomático. As negociações envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel não conseguiram incluir o Líbano em um acordo de cessar-fogo, enquanto o governo israelense mantém ofensivas sob o argumento de combater o Hezbollah.

Na quinta-feira (9), o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou a abertura de negociações diretas com o Líbano para discutir o desarmamento do grupo e a possibilidade de relações pacíficas entre os países, sem interromper, contudo, as operações militares.

No sábado (11), durante outra oração, Leão XIV fez um apelo direto pelo fim da violência e pela retomada do diálogo internacional. “Parem! É hora de paz! Sentem-se à mesa do diálogo e da mediação, não à mesa onde se planeja o rearme e se decidem ações mortais! Basta da idolatria do ego e do dinheiro! Basta da demonstração de poder! Basta da guerra!”, declarou.

O pontífice tem reiterado a necessidade de reduzir a escalada do conflito no Oriente Médio e defende uma saída diplomática para a crise, que envolve também tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Na segunda-feira (13), Leão XIV inicia uma viagem de 11 dias pela África, com passagem pela Argélia, onde pretende reforçar a mensagem de diálogo e aproximação com o mundo islâmico em meio à crise internacional.

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