Governo Trump ameaçou o Papa em reunião no Pentágono
Encontro no Pentágono e críticas do papa expõem crise diplomática entre Santa Sé e governo Trump, com divergências sobre guerra e imigração
247 - O Papa Leão XIV entrou em rota de colisão com o governo dos Estados Unidos após críticas à militarização global, desencadeando uma reação direta do Pentágono que incluiu uma reunião considerada tensa com representantes do Vaticano. O episódio, ocorrido em janeiro, elevou o nível de atrito diplomático entre Washington e a Santa Sé e provocou repercussões imediatas nas relações bilaterais.
Segundo reportagem do site The Free Press, o subsecretário de Defesa para Política dos EUA, Elbridge Colby, convocou o cardeal Christophe Pierre, embaixador do Vaticano em Washington, para um encontro a portas fechadas no Pentágono. Durante a reunião, autoridades americanas teriam adotado um tom de advertência ao afirmar: “Os Estados Unidos têm poder militar para fazerem o que quiserem no mundo” e acrescentar que “a Igreja Católica deveria tomar um lado”.
O encontro ocorreu dias após o Papa Leão XIV criticar o cenário internacional marcado por tensões e conflitos. Em suas declarações, o pontífice alertou que “a guerra voltou a estar na moda” e denunciou o avanço de uma mentalidade belicista, além de defender o retorno da diplomacia baseada no diálogo. As falas foram interpretadas por integrantes do governo de Donald Trump como críticas diretas à política externa americana, especialmente diante da escalada envolvendo o Irã.
Fontes próximas ao Vaticano relataram que a reunião no Pentágono foi vista como uma tentativa inédita de intimidação. Um dos pontos mais sensíveis teria sido a menção ao período do Papado de Avinhão — quando a Igreja esteve sob influência da monarquia francesa — interpretada internamente como uma referência simbólica à possibilidade de coerção política.
O cardeal Christophe Pierre, diplomata experiente da Santa Sé e nomeado cardeal pelo Papa Francisco em 2023, tem histórico de atuação em países como México, Uganda e Haiti. Sua convocação para o encontro reforçou a gravidade do episódio, considerado incomum nas relações entre Vaticano e autoridades militares dos Estados Unidos.
O impacto da crise foi imediato. De acordo com relatos, o Papa Leão XIV teria cancelado planos de visitar os Estados Unidos ainda neste ano. O gesto foi interpretado como sinal de descontentamento diante do clima de tensão crescente.
A Casa Branca e o Departamento de Defesa negaram que o encontro tenha sido hostil. Em nota, afirmaram que a reunião foi “respeitosa e razoável” e reiteraram o “alto respeito” dos Estados Unidos pela Santa Sé, defendendo a continuidade do diálogo entre as partes.
Na quarta-feira (8), o vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que pretende apurar os relatos. “Eu realmente gostaria de conversar com o cardeal Christophe Pierre e, francamente, com as nossas próprias equipes, para entender o que de fato aconteceu”, declarou. Ele acrescentou: “Acho sempre uma má ideia dar opinião sobre histórias que não foram confirmadas nem corroboradas, então não vou fazer isso”.
Desde que assumiu o pontificado, Leão XIV tem adotado postura crítica em relação a ações do governo Trump. Em outro momento, classificou como “realmente inaceitável” a declaração do ex-presidente sobre “matar toda uma civilização” no Irã. Em sua mensagem de Páscoa, o papa também voltou a alertar para a crescente “globalização da indiferença” diante do sofrimento humano, conceito atribuído ao seu antecessor, o papa Francisco.


