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Estados Unidos e Israel deixam 1,6 mil mortos no Irã, incluindo 244 crianças

No Líbano, 1,5 mil pessoas foram assassinadas. Cessar-fogo foi firmado na noite de terça-feira

Donald Trump e Benjamin Netanyahu (Foto: Reuters/Kevin Lamarque)

247 - O cessar-fogo anunciado no Oriente Médio ocorre após uma ofensiva que deixou ao menos 1,6 mil mortos no Irã em meio à escalada militar envolvendo Estados Unidos e Israel, além de milhares de vítimas em outros países da região. A trégua, considerada frágil, surge em um cenário de crise humanitária e continuidade de ataques, evidenciando as dificuldades para conter o conflito, informa o The New York Times.

De acordo com dados compilados pela Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, ao menos 1.665 civis foram mortos no Irã desde o início das hostilidades, incluindo 244 crianças. Os números colocam a situação humanitária no centro das negociações internacionais e ampliam a pressão por uma solução diplomática.

O impacto da guerra se estende para além do território iraniano. No Líbano, confrontos entre Israel e o Hezbollah deixaram mais de 1,5 mil mortos. Já em países do Golfo, ataques atribuídos ao Irã provocaram ao menos 32 mortes. Em Israel, foram registradas 20 vítimas fatais, enquanto os Estados Unidos contabilizam 13 militares mortos e centenas de feridos.

O acordo de cessar-fogo, com duração de duas semanas, foi anunciado na noite de terça-feira (7) por Estados Unidos e Irã, com mediação do Paquistão. A negociação ocorreu pouco antes do prazo estipulado pelo presidente Donald Trump para que Teerã liberasse o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.

Apesar do anúncio, a implementação da trégua é incerta. Na manhã desta quarta-feira (8), foram relatados novos ataques com mísseis e drones em diferentes pontos do Golfo Pérsico, indicando possíveis falhas de coordenação entre comandos militares iranianos.

Mesmo com a instabilidade no terreno, o cessar-fogo teve efeitos imediatos na economia global. O preço do petróleo caiu cerca de 15%, chegando a US$ 93 por barril. Ainda assim, permanece a dúvida sobre a segurança do Estreito de Ormuz para o tráfego marítimo internacional.

Autoridades norte-americanas informaram que os ataques dos EUA contra o Irã foram interrompidos. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o país suspenderia suas “operações defensivas” e permitiria a passagem segura pelo estreito durante o período da trégua, desde que em coordenação com suas forças armadas.

Apesar dessas sinalizações, novos episódios de tensão foram registrados. Sirenes soaram em Israel após a aproximação de mísseis balísticos iranianos, enquanto Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos relataram ataques recentes. No Bahrein, autoridades informaram incêndios associados a ações atribuídas ao Irã.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o cessar-fogo não se estende ao Líbano e que as operações contra o Hezbollah continuam, incluindo uma ofensiva terrestre no sul do país. A posição diverge da apresentada pelo premiê do Paquistão, Shehbaz Sharif, que indicou um acordo com alcance mais amplo.

O período de duas semanas deverá ser utilizado para novas negociações. Donald Trump afirmou que pretende avançar na construção de um acordo de paz duradouro, enquanto o Paquistão convidou delegações dos Estados Unidos e do Irã para encontros em Islamabad.

Nos mercados financeiros, a reação foi imediata. O índice Nikkei 225, no Japão, avançou 5,4%, e as ações na Coreia do Sul subiram quase 7%. Nos Estados Unidos, os futuros do S&P 500 indicaram alta próxima de 3%.

A crise também provocou reações políticas e diplomáticas. O Papa Leão XIV classificou como “verdadeiramente inaceitável” a retórica de destruição total do Irã. No Congresso americano, parlamentares de diferentes partidos apoiaram o cessar-fogo, embora tenham surgido questionamentos sobre a legalidade da ação militar sem autorização legislativa.

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