Parlamento francês rejeita moção contra governo e mantém primeiro-ministro
No total, 128 parlamentares votaram a favor da primeira moção, bem menos do que os 289 votos necessários
PARIS (Reuters) - O primeiro-ministro francês François Bayrou sobreviveu nesta quarta-feira a um primeiro voto de desconfiança no Parlamento, solicitado pela extrema-esquerda, já que a moção não contou com o apoio nem do Reunião Nacional (RN), de extrema-direita, e nem dos socialistas, de centro-esquerda.
No total, 128 parlamentares votaram a favor da primeira moção, bem menos do que os 289 votos necessários.
Parlamentares de extrema-esquerda apresentaram duas moções de desconfiança contra o primeiro-ministro depois que ele invocou poderes constitucionais especiais para forçar a aprovação do orçamento de 2025.
A ferramenta, conhecida como Artigo 49.3, permite que o governo minoritário aprove a legislação sem uma votação parlamentar.
O segundo voto de desconfiança deve ocorrer ainda nesta quarta-feira.
Tanto a Reunião Nacional quanto o Partido Socialista sinalizaram antes das votações que não apoiariam a moção porque a França precisa de um orçamento, embora os socialistas tenham dito que, em uma data posterior, apresentariam uma moção de desconfiança separada em relação aos comentários recentes de Bayrou sobre imigração.
Bayrou disse que muitos franceses sentem-se "submersos" pela imigração, declaração que tem defendido desde então, mesmo que tenha atrapalhado brevemente as negociações sobre o orçamento. É provável que essa moção também não seja aprovada.
A França lida com instabilidade política desde que o presidente Emmanuel Macron decidiu convocar uma eleição antecipada em junho, que resultou em um Parlamento fragmentado no qual nenhum partido detém a maioria.
(Reportagem de Makini Brice, Dominique Vidalon e Sudip Kar-Gupta)



