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Petroleiros em chamas no Iraque elevam tensão e pressionam preço do petróleo

Ataques atribuídos ao Irã intensificam guerra no Oriente Médio, ampliam instabilidade energética global e desafiam declarações de vitória dos EUA

Miniaturasmodelos impressos em 3D de bombas de petróleo, bandeira do Irã e gráfico de alta da bolsa (Foto: Dado Ruvic/Reuters)

247 - A guerra no Oriente Médio ganhou novos contornos nesta quinta-feira (12), após dois petroleiros serem incendiados em águas do Iraque em ataques atribuídos ao Irã. 

O episódio ampliou as preocupações sobre a segurança das rotas energéticas globais e fez os preços do petróleo voltarem a subir no mercado internacional.

Segundo informações divulgadas pela Reuters, o ataque ocorre em meio à escalada do conflito iniciado há quase duas semanas, após bombardeios conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Desde então, a guerra já deixou cerca de 2.000 mortos e provocou forte instabilidade nos mercados globais de energia e transporte.Autoridades portuárias e empresas de segurança marítima relataram que embarcações carregadas com explosivos teriam sido usadas pelo Irã para atacar dois navios-tanque em águas iraquianas, provocando incêndios e a morte de um tripulante. Além disso, projéteis atingiram três embarcações comerciais no Golfo, ampliando o temor de novas interrupções no fluxo de petróleo.

Petróleo dispara 

O impacto imediato foi sentido nos mercados internacionais. Após uma queda temporária, o preço do petróleo voltou a subir e ultrapassou novamente a marca de US$ 100 por barril nas negociações asiáticas desta quinta-feira, registrando alta próxima de 10%.

O analista Tony Sycamore, da IG, avaliou que o episódio representa uma reação direta de Teerã às medidas adotadas por países consumidores para conter a disparada dos preços.

"Isso parece marcar uma resposta direta e contundente do Irã ao anúncio da Agência Internacional de Energia sobre uma liberação massiva de reservas estratégicas destinada a conter a alta descontrolada dos preços", afirmou.

Na quarta-feira, a Agência Internacional de Energia (AIE) recomendou a liberação de 400 milhões de barris de reservas estratégicas globais, na maior intervenção já registrada para conter um choque energético desde a década de 1970.Nos Estados Unidos, o secretário de Energia, Chris Wright, afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou a liberação de 172 milhões de barris da Reserva Estratégica de Petróleo a partir da próxima semana.

Trump declarou que a medida "reduzirá substancialmente os preços do petróleo à medida que eliminamos essa ameaça à América e ao mundo".

Irã alerta para petróleo a US$ 200

Em meio à escalada militar, autoridades iranianas indicaram que o país pretende pressionar economicamente os adversários. Um porta-voz do comando militar iraniano declarou:

"Preparem-se para o petróleo chegar a US$ 200 o barril, porque o preço do petróleo depende da segurança regional, que vocês desestabilizaram."

Os ataques também atingiram outras instalações energéticas na região. Tanques de combustível foram alvo de bombardeios em Muharraq, no Bahrein, enquanto drones atingiram depósitos de petróleo no porto de Salalah, em Omã, segundo autoridades locais.Além disso, um navio porta-contêineres relatou ter sido atingido por um projétil próximo aos Emirados Árabes Unidos, aumentando os temores de uma escalada marítima no Golfo.

Estreito de Ormuz 

Um dos pontos mais críticos do conflito é o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo transportado no mundo. Até o momento, não há sinais claros de que navios consigam atravessar o canal com segurança.Um porta-voz militar iraniano afirmou que o estreito está "sem dúvida" sob controle do país. Em resposta, o G7 — grupo formado por Estados Unidos, Canadá, Japão, Itália, Reino Unido, Alemanha e França — discute a possibilidade de escoltar embarcações para garantir a navegação no Golfo.Apesar da escalada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as forças americanas já destruíram 58 embarcações da marinha iraniana e que o país estaria "praticamente no fim da linha".

Durante um comício no estado do Kentucky, em clima de campanha para as eleições legislativas de novembro, Trump declarou que os Estados Unidos venceram o conflito, mas ressaltou a necessidade de consolidar o resultado militar.

"Não queremos ir embora mais cedo, não é?", disse ele. "Temos que terminar o trabalho."

Guerra já deixa milhares de vítimas

A dimensão humanitária da guerra também cresce rapidamente. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) informou que mais de 1.100 crianças foram mortas ou feridas desde o início dos confrontos.A escalada militar ocorre em meio a sinais de que a liderança iraniana permanece operacional. Fontes de inteligência dos Estados Unidos afirmaram que a estrutura de comando do país continua intacta e não há risco iminente de colapso do governo.

Enquanto isso, autoridades norte-americanas alertaram para possíveis ataques de drones iranianos ou de milícias aliadas contra infraestrutura energética dos Estados Unidos e de países aliados na região, ampliando o temor de que o conflito se expanda ainda mais pelo Oriente Médio.

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