Preço do petróleo sobe com incerteza sobre cessar-fogo e tensão no Estreito de Hormuz
Alta do petróleo reflete dúvidas sobre tráfego no estreito de Hormuz mesmo após cessar-fogo
247 - Os preços do petróleo voltaram a subir com força após o início do cessar-fogo no Irã, refletindo as incertezas sobre o tráfego no Estreito de Hormuz, rota estratégica responsável por cerca de 20% da produção global da commodity. A recuperação das cotações ocorre mesmo após a trégua, diante da ausência de sinais claros de normalização da navegação na região e do impacto direto nos mercados internacionais.
Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, a valorização foi registrada na noite de quarta-feira (8), após uma forte queda na sessão anterior. Às 23h (horário de Brasília), o petróleo Brent — referência global — avançava 2,13%, cotado a US$ 96,79, enquanto o WTI, referência nos Estados Unidos, subia 2,71%, a US$ 96,97.
A alta acontece após um tombo superior a 11% nos preços do petróleo na sessão anterior, provocado por um recuo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que havia ameaçado destruir o Irã caso não houvesse acordo dentro do prazo estipulado por Washington. Posteriormente, Trump indicou que a decisão foi baseada no compromisso de Teerã de reabrir o estreito de Hormuz durante a trégua.
Apesar de relatos iniciais sobre a passagem de navios pela região — o que chegou a derrubar o preço do Brent para US$ 90, menor nível desde 11 de março —, o fluxo ainda é considerado limitado e inseguro por empresas do setor marítimo. Companhias de navegação afirmam que aguardam maior clareza sobre os termos do cessar-fogo antes de retomar operações regulares.
O governo iraniano mantém restrições e afirmou que o estreito segue fechado para embarcações sem autorização. Em entrevista ao Financial Times, Hamid Hosseini, porta-voz da União de Exportadores de Petróleo, Gás e Produtos Petroquímicos do Irã, detalhou a estratégia do país: "O Irã precisa monitorar o que entra e sai do estreito para garantir que essas duas semanas não sejam usadas para transferência de armas". Segundo ele, Teerã pretende analisar cada embarcação e cobrar pedágios, que poderiam ser pagos em criptomoedas.
Empresas globais de logística marítima adotam postura cautelosa. A dinamarquesa Maersk avaliou que a trégua pode abrir oportunidades, mas ainda não garante segurança plena na navegação. Já a alemã Hapag-Lloyd informou que só retomará operações após confirmar a estabilidade do cessar-fogo. O CEO da companhia, Rolf Habben Jansen, afirmou que a normalização dos fluxos pode levar entre seis e oito semanas.
A instabilidade no estreito de Hormuz segue como fator central para o mercado energético. O CEO do deVere Group, Nigel Green, ressaltou o impacto estratégico da região: "Um quinto do suprimento mundial de petróleo passa por um corredor que ainda está efetivamente sob a influência de uma das partes do conflito. Isso não é estabilidade."
O cenário também afetou os mercados financeiros globais. As bolsas asiáticas abriram em queda, revertendo ganhos da sessão anterior. O índice Nikkei 225, do Japão, recuava 0,49%, enquanto a Bolsa de Xangai e o índice regional Ásia-Pacífico fora do Japão caíam 0,65% e 0,72%, respectivamente. Em Wall Street, os futuros do S&P 500 e do Nasdaq registravam leve baixa de 0,2%, após um fechamento anterior em alta.
A combinação de tensões geopolíticas, incerteza operacional no estreito de Hormuz e cautela das grandes empresas de transporte mantém o mercado de petróleo em alerta, com reflexos diretos sobre preços e estabilidade econômica global.

