Preços do petróleo sobem com nova escalada na guerra do Irã
Guerra dos EUA contra Irã tem momento de escalada e novos impasses
247 - Os preços do petróleo subiram mais de 1% no início do pregão desta quarta-feira (3), em meio a uma nova escalada militar no Golfo Pérsico, ao impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã e ao fechamento quase total do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de energia, conforme informações da Reuters.
A tensão aumentou depois que o Comando Central dos EUA afirmou ter frustrado ou registrado falhas em ataques iranianos com mísseis contra o Bahrein, o Kuwait e outros alvos regionais. Segundo Washington, dois mísseis lançados contra o Kuwait não atingiram seus objetivos ou se desintegraram em pleno voo, enquanto três mísseis direcionados ao Bahrein foram interceptados.
De acordo com os militares norte-americanos, outros mísseis balísticos destinados a alvos na região também falharam. O Comando Central informou ainda que as forças dos EUA abateram drones iranianos que teriam como alvo navios civis em águas regionais e tropas norte-americanas no Kuwait.
As forças dos Estados Unidos também realizaram ataques contra a ilha de Qeshm, próxima ao Estreito de Ormuz, depois de tentativas de ataque atribuídas ao Irã. A ilha tem localização estratégica em uma das áreas mais sensíveis para o fluxo de petróleo e gás natural liquefeito no mundo.
A mídia estatal iraniana, por sua vez, informou que o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica atacou o quartel-general da Quinta Frota dos EUA, localizado no Bahrein, além de uma base aérea e helicópteros em um país regional não identificado. Segundo essa versão, a ação foi uma resposta a um ataque norte-americano contra uma torre de comunicações ao sul de Qeshm.
O Comando Central dos EUA declarou que todos os ataques falharam e afirmou que as forças norte-americanas seguem prontas para repelir “agressões iranianas injustificadas”.
Impasse entre Washington e Teerã
A nova escalada ocorre mais de três meses após os ataques iniciais dos EUA e de Israel contra o Irã. A guerra, iniciada em 28 de fevereiro, permanece presa a um impasse, apesar de um cessar-fogo instável e de declarações recentes sobre um possível acordo preliminar para encerrar a guerra.
Na semana passada, Irã e Estados Unidos afirmaram ter chegado a um entendimento inicial provisório para interromper o conflito. No entanto, o acordo ainda não foi formalmente aprovado pelas partes.
A mídia iraniana informou que Teerã não se comunicava com Washington havia vários dias. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, porém, que as negociações não foram interrompidas.
“As conversas entre nós têm ocorrido continuamente, inclusive há quatro dias, há três dias, há dois dias, há um dia e hoje”, disse Trump em uma publicação nas redes sociais.
Desde meados de março, Trump tem afirmado repetidamente que está perto de um acordo capaz de encerrar os combates e abrir caminho para negociações sobre temas sensíveis, incluindo o futuro do programa nuclear iraniano.
O presidente norte-americano afirma que impedir o Irã de obter armas nucleares é sua principal prioridade. Teerã nega desenvolver uma bomba atômica e sustenta que seu programa nuclear tem fins pacíficos.
Ormuz no centro da crise energética
O Estreito de Ormuz segue como um dos principais pontos de pressão no conflito. Antes da guerra, a rota respondia por cerca de um quinto do tráfego mundial de petróleo e gás natural liquefeito. Com a passagem praticamente fechada ao tráfego marítimo, os impactos sobre a economia global se intensificaram.
Teerã busca acesso a bilhões de dólares em receitas petrolíferas, autorizações para exportações de petróleo, o fim do bloqueio norte-americano a seus portos e a manutenção de influência sobre o estreito.
A mídia iraniana informou que a Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica atacou com mísseis uma embarcação identificada como “Panaya”. Segundo Teerã, a ação foi uma resposta a um ataque dos EUA contra um petroleiro iraniano perto de Ormuz.
“Interromper a segurança do Estreito de Ormuz terá um preço alto para os militares dos EUA”, afirmou o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, segundo a mídia iraniana.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse a parlamentares na terça-feira que os Estados Unidos só aceitariam aliviar sanções se o Irã concordasse em abandonar sua atividade nuclear.
Durante uma troca dura com o senador democrata Cory Booker, de Nova Jersey, Rubio declarou: “A guerra acabou”. Booker discordou da afirmação.
Israel mantém ataques no Líbano
A guerra também ampliou a guerra de Israel contra o Líbano. Desde o início dos combates, milhares de pessoas morreram, principalmente no Irã e no Líbano, enquanto a alta dos preços da energia aumentou os custos econômicos globais.
Israel realizou sua incursão mais profunda no Líbano em 25 anos. Na terça-feira, manteve ataques contra uma série de cidades no sul libanês, segundo fontes de segurança do país, apesar de um cessar-fogo parcial mediado pelos EUA e anunciado na segunda-feira.
O anúncio do cessar-fogo não tranquilizou muitos libaneses. Cerca de 1,2 milhão de pessoas foram deslocadas, e a presença de um drone israelense sobre Beirute manteve moradores em estado de alerta.
“Toda vez que voltamos para nossas casas, há um aviso para sermos deslocados novamente”, disse Faten Al Chehime, que fugiu para um acampamento após deixar sua casa nos subúrbios do sul de Beirute na segunda-feira, apenas duas semanas depois de ter retornado ao local.
Impacto global atinge transporte e ajuda humanitária
No mar, o maior grupo de transporte marítimo do mundo, a MSC, informou na terça-feira que um de seus navios foi atingido por dois projéteis enquanto estava no porto iraquiano de Umm Qasr no dia anterior.
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica afirmou ter realizado o ataque em retaliação a uma ação dos EUA contra uma embarcação iraniana no Golfo de Omã.
A crise também passou a afetar operações humanitárias em diferentes regiões. O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, afirmou que o aumento dos custos de transporte e as interrupções nas cadeias de suprimento dificultam a entrega de ajuda essencial para Gaza, Líbano, República Democrática do Congo, Mali, Somália, Sudão do Sul, Nigéria e outros locais.
Com o Estreito de Ormuz praticamente fechado, a instabilidade militar no Golfo Pérsico e o impasse diplomático entre Washington e Teerã seguem pressionando os mercados de energia e ampliando os efeitos econômicos e humanitários da guerra.



