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Irã afirma que ataques israelenses no Líbano e em Gaza colocam em risco negociações de cessar-fogo com os Estados Unidos

As declarações de Teerã foram feitas em um momento de intensificação da invasão israelense no sul do Líbano

Chanceler iraniano Abbas Araqchi em Istambul 30/1/2026 REUTERS/Dilara Senkaya (Foto: REUTERS/Dilara Senkaya)
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247 - O Irã afirma que Israel coloca em risco as negociações de cessar-fogo com os Estados Unidos ao ampliar os ataques no Líbano e manter as operações militares em Gaza, em meio a um cenário de crescente tensão regional.

Segundo a Al Jazeera, autoridades iranianas afirmam que a escalada militar israelense, somada ao cerco dos EUA aos portos iranianos, representa uma violação do entendimento de cessar-fogo em discussão com Washington.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou nesta segunda-feira (1º), que a ampliação da ofensiva israelense no Líbano e os ataques ao território libanês não podem ser tratados como fatos isolados. Para Teerã, qualquer violação em uma das frentes regionais compromete todo o processo de negociação.

“O cessar-fogo entre o Irã e os EUA é inequivocamente um cessar-fogo em todas as frentes, inclusive no Líbano”, disse Araghchi em uma publicação nas redes sociais. “Sua violação em uma frente é uma violação do cessar-fogo em todas as frentes. Os EUA e Israel são responsáveis pelas consequências de qualquer violação.”

O principal negociador iraniano e presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, adotou o mesmo tom ao acusar os Estados Unidos de descumprirem o cessar-fogo diante da continuidade das ações militares israelenses.

“O bloqueio naval e a escalada dos crimes de guerra no Líbano pelo regime sionista genocida são provas claras do descumprimento do cessar-fogo por parte dos EUA”, escreveu Ghalibaf nas redes sociais.

“Toda escolha tem um preço, e a conta chega. No fim, tudo se encaixará”, acrescentou.

Escalada no Líbano aumenta pressão sobre negociações

As declarações de Teerã foram feitas em um momento de intensificação da invasão israelense no sul do Líbano. Israel também passou a ameaçar uma retomada de ataques em larga escala contra Beirute, elevando o risco de expansão do conflito.

Pouco depois dos comentários iranianos, o exército israelense emitiu uma ordem de deslocamento forçado para moradores dos subúrbios de Dahiye, no sul de Beirute, e determinou novos ataques aéreos. No dia anterior, forças terrestres israelenses haviam alcançado seu ponto mais profundo no Líbano em 26 anos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que interveio para reduzir a tensão. Em publicação feita na tarde de segunda-feira, ele disse ter recebido garantias de que tropas israelenses não continuariam avançando em direção a Beirute.

“Tive uma conversa muito produtiva com o primeiro-ministro israelense Bibi Netanyahu, e não haverá tropas a caminho de Beirute, e quaisquer tropas que estivessem a caminho já foram impedidas de entrar”, escreveu Trump.

O presidente dos Estados Unidos também declarou ter mantido contato, por meio de representantes de alto escalão, com o Hezbollah.

“Da mesma forma, por meio de representantes de alto escalão, tive uma conversa muito produtiva com o Hezbollah, e eles concordaram que todos os disparos cessarão — que Israel não os atacará e que eles não atacarão Israel.”

A Al Jazeera observa que não está claro com quem Trump teria conversado no Hezbollah, grupo designado pelos Estados Unidos como uma “organização terrorista estrangeira”. Uma interlocução desse tipo provavelmente seria inédita para um presidente norte-americano.

Teerã cobra fim dos ataques em Gaza

A agência semioficial iraniana Tasnim informou que Teerã também passou a exigir o fim dos ataques militares israelenses em Gaza. De acordo com a reportagem, autoridades iranianas suspenderam a troca de mensagens de texto com representantes dos Estados Unidos por meio de um mediador, em razão da continuidade das hostilidades.

“A cessação imediata das operações militares agressivas e brutais do regime sionista em Gaza e no Líbano, bem como a necessidade da retirada completa do regime das áreas ocupadas no Líbano, foram enfatizadas por autoridades e negociadores iranianos, e não haverá negociações até que as posições do Irã e da resistência sobre este assunto sejam atendidas”, informou a agência de notícias.

Embora a reportagem da Tasnim, frequentemente associada à Guarda Revolucionária Islâmica, não tenha sido confirmada publicamente pelo governo iraniano, ela pode indicar uma mensagem política de Teerã no momento em que as conversas com Washington enfrentam impasses.

Guarda Revolucionária ameaça abrir novas frentes

Mais tarde, a Guarda Revolucionária Islâmica ameaçou abrir “novas frentes” e manter o Estreito de Ormuz fechado caso Israel não interrompa suas ações militares, segundo a mídia estatal iraniana.

“O Irã considera que cruzar as linhas vermelhas no Líbano e em Gaza significa guerra direta”, afirmou a organização de inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica, de acordo com a TV estatal.

A ameaça reforça o peso estratégico do Estreito de Ormuz, passagem marítima fundamental para o comércio global de petróleo, e amplia a preocupação com a possibilidade de o confronto se transformar em uma crise regional ainda mais ampla.

EUA tentam separar guerra no Líbano do conflito com o Irã

Os Estados Unidos têm buscado separar a guerra entre Israel e Hezbollah no Líbano do conflito mais amplo envolvendo o Irã. Teerã, no entanto, insiste que o Líbano deve fazer parte de qualquer entendimento futuro de cessar-fogo.

Em paralelo, o governo norte-americano apoiou e organizou negociações separadas entre autoridades libanesas e israelenses, em uma tentativa de conter a escalada sem vincular diretamente o front libanês às tratativas com o Irã.

Na manhã de segunda-feira, Trump afirmou que o Irã “quer fazer um acordo” e pediu que seus críticos deixem as negociações sob sua condução.

“Apenas relaxe e fique tranquilo, tudo vai dar certo no final – sempre dá!”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.

As declarações ocorrem em um ambiente de forte desconfiança entre Teerã, Washington e Tel Aviv, com o Irã vinculando qualquer avanço nas negociações ao fim das operações israelenses no Líbano e em Gaza.

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