Protestos marcam um ano do segundo mandato de Trump nos Estados Unidos
Atos nacionais denunciam impactos da agenda do presidente dos Estados Unidos sobre imigrantes, trabalhadores e comunidades vulneráveis
247 - Uma série de protestos está sendo organizada em diversas cidades dos Estados Unidos para marcar o primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. As mobilizações têm como objetivo chamar a atenção para os efeitos negativos das políticas adotadas nos últimos 12 meses, especialmente sobre comunidades imigrantes, populações de baixa renda e outros setores socialmente vulneráveis.
A informação foi divulgada originalmente pela agência Prensa Latina, que relata a intensificação de atos públicos e paralisações convocadas por diferentes movimentos sociais. Nesta terça-feira, às 14h no horário local, os organizadores propõem que trabalhadores, estudantes e comerciantes abandonem suas atividades como parte do protesto denominado “Liberdade para a América”. A dimensão do movimento reflete um ambiente de crescente insatisfação social após um ano de governo marcado por políticas controversas.
A professora Dana Fisher, da Escola de Serviço Internacional da American University, citada pela Axios, afirmou que “a vanguarda desse movimento está começando a pensar em como... um dia, marchas pacíficas e legalmente permitidas não serão suficientes para se opor” ao governo. A declaração evidencia o grau de radicalização do debate político e a percepção de esgotamento dos meios tradicionais de protesto.
As manifestações também ocorrem na esteira de vários dias de protestos no estado de Minnesota, após o assassinato a tiros da cidadã americana Renee Good, de 37 anos, por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), em Minneapolis, no dia 7 de janeiro. Outro tiroteio envolvendo um agente do ICE, novamente na mesma cidade, agravou ainda mais o clima de tensão.
Diante dos episódios, Donald Trump, chegou a ameaçar invocar a raramente utilizada Lei de Insurreição, mas recuou posteriormente ao declarar que “não havia motivo” para fazê-lo.
Organizações da sociedade civil reagiram duramente. Em comunicado, o The People’s Forum, entidade sediada em Nova York, declarou: “Recusamo-nos a permitir que Trump, o ICE e a administração racista operem com impunidade. Do assassinato de Renee Nicole Good às deportações em massa, ataques a comunidades imigrantes e a contínua facilitação do genocídio na Palestina, esta administração mostrou suas verdadeiras cores”.
O histórico recente indica um potencial de crescimento das mobilizações. No ano passado, os protestos conhecidos como “No Kings”, realizados em outubro, reuniram cerca de sete milhões de pessoas em todo o país, número que pode ser superado em futuras ações.
Pesquisas de opinião reforçam o cenário de desgaste político. Levantamento da CBS News/YouGov, publicado no domingo (18), aponta que 59% dos entrevistados desaprovam o desempenho do presidente republicano. De acordo com a análise, poucos norte-americanos sentem que as políticas de Trump trouxeram benefícios concretos, prevalecendo a percepção de piora nas condições de vida.
Donald Trump voltou ao poder após vencer as eleições presidenciais de novembro de 2024, derrotando sua rival democrata, a então vice-presidente Kamala Harris. O Partido Republicano também consolidou sua força institucional ao garantir maioria no Congresso, com o controle tanto da Câmara dos Representantes quanto do Senado.


