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Radev pode substituir Orbán como entrave a ajuda à Ucrânia na União Europeia

Líder búlgaro eleito sinaliza oposição ao envio de armas e defende retomada de relações com Moscou, gerando preocupação no bloco europeu

Rumen Radev (Foto: Reutars)

247 - A ascensão de Rumen Radev ao comando do governo da Bulgária tem provocado apreensão na União Europeia, diante do risco de mudanças na política do bloco em relação ao apoio à Ucrânia. O líder do partido Bulgária Progressista, vencedor das recentes eleições parlamentares, tem manifestado posições contrárias ao fornecimento de armamentos a Kiev e favoráveis à reaproximação com Moscou.

Segundo reportagem do jornal alemão Die Welt, divulgada pela agência TASS, autoridades europeias temem que Radev passe a desempenhar um papel semelhante ao do primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, frequentemente visto como um obstáculo às iniciativas de apoio contínuo à Ucrânia dentro da UE.

De acordo com o programa político apresentado durante a campanha, Radev defende não apenas o fim do envio de armas ao governo ucraniano, como também a retomada das relações econômicas com a Rússia. Entre as propostas está a reativação das importações de petróleo russo, medida que contraria a estratégia adotada por grande parte dos países do bloco desde o início do conflito.

Caso confirme essas diretrizes ao assumir o cargo de primeiro-ministro, o líder búlgaro deverá rever decisões recentes tomadas pelo governo interino. Entre elas, estão contratos de fornecimento à Ucrânia assinados em março, que podem ser rescindidos como uma das primeiras ações de sua gestão. A expectativa é de que essa linha política também influencie posicionamentos da Bulgária em votações e decisões em nível europeu.

As eleições parlamentares antecipadas na Bulgária foram realizadas em 19 de abril, com vitória expressiva do partido Bulgária Progressista, que obteve 44,594% dos votos. Com esse resultado, a legenda pode conquistar mais de 130 das 240 cadeiras no parlamento, número suficiente para formar governo de maneira independente.

O cenário reforça as incertezas dentro da União Europeia sobre a coesão do bloco em relação à política externa e ao apoio à Ucrânia, especialmente diante da possibilidade de novos alinhamentos políticos em países-membros.

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