Republicanos se dividem sobre política migratória de Trump após morte em operação nos EUA
Pesquisa revela racha no partido sobre uso da força por agentes federais e mostra queda da aprovação do presidente dos Estados Unidos
247 - A política migratória do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a provocar forte controvérsia interna no Partido Republicano após a morte da ativista comunitária Renee Nicole Good durante uma operação de agentes federais de imigração em Minneapolis. O episódio intensificou protestos em várias cidades do país e levantou questionamentos sobre os limites do uso da força em ações de fiscalização.
Segundo pesquisa realizada pelo instituto Ipsos em parceria com a agência Reuters, divulgada nesta quinta-feira (15), há uma divisão relevante entre os republicanos sobre a conduta dos agentes de imigração. O levantamento indica que, embora o apoio geral a Donald Trump dentro do partido permaneça elevado, cresce a preocupação com a abordagem agressiva adotada por seu governo na área migratória.
De acordo com o estudo, 95% dos eleitores republicanos seguem aprovando o desempenho de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos. Ainda assim, uma parcela significativa de seus apoiadores demonstra desconforto com operações que resultam em feridos ou mortes. A pesquisa também aponta que a aprovação nacional da política migratória do governo caiu ao nível mais baixo desde o retorno de Trump à Casa Branca, há um ano.
Os entrevistados foram questionados sobre qual deveria ser a prioridade dos agentes federais: reduzir danos às pessoas, mesmo que isso limite o número de prisões, ou realizar detenções mesmo com o risco de ferimentos graves ou mortes. Entre os republicanos, 59% defenderam a priorização das prisões, enquanto 39% afirmaram que os agentes deveriam focar na redução de danos. Já entre os democratas, houve ampla convergência: 96% disseram que evitar ferimentos deve ser a principal preocupação, contra 4% que apoiaram a ênfase nas prisões.
O caso de Renee Good, de 37 anos, ganhou grande repercussão nacional. Ela foi morta a tiros no dia 7 de janeiro, após ser filmada criticando agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) de dentro de seu carro. Autoridades do governo Trump afirmaram que o agente agiu em legítima defesa e classificaram Good como uma “terrorista doméstica”, alegando que ela teria tentado atropelar o agente com o veículo.
Líderes locais e manifestantes contestam essa versão. Eles afirmam que imagens do episódio mostram Good virando o volante para longe do agente ao passar por ele, o que, segundo os críticos, indicaria que não havia intenção de feri-lo. A morte da ativista desencadeou protestos em diversas regiões do país e acirrou confrontos entre manifestantes e forças de segurança em frente a prédios governamentais.
Jason Cabel Roe, estrategista político republicano crítico de Donald Trump, afirmou que o episódio evidenciou o impacto humano da política migratória do governo. “Alguém morreu em um confronto com o ICE. Isso não é algo que ninguém queira ver acontecendo”, declarou.
Em Minneapolis, manifestações em frente a um prédio federal resultaram em confrontos entre pequenos grupos de protestantes e agentes de imigração. Segundo registros fotográficos e em vídeo da Reuters, os agentes utilizaram gás lacrimogêneo e dispositivos de efeito moral, enquanto alguns manifestantes foram derrubados e contidos no chão.
Historicamente, a imigração vinha sendo um dos temas mais favoráveis a Donald Trump em termos de aprovação popular desde seu retorno ao poder. Durante a campanha presidencial de 2024, ele prometeu implementar o maior programa de deportações em décadas. Em fevereiro de 2025, sua aprovação nessa área chegou a 50%, superando inclusive sua melhor avaliação geral no início do mandato.
A pesquisa mais recente mostra, no entanto, uma queda gradual. A aprovação geral do presidente dos Estados Unidos recuou para 41%, ante 42% no início de janeiro, enquanto a aprovação específica sobre imigração caiu para 40%, o menor índice já registrado desde que a pergunta passou a ser feita regularmente.
O levantamento ouviu 1.217 adultos em todo o território norte-americano e tem margem de erro de três pontos percentuais. Mesmo com a queda, a avaliação de Donald Trump na política migratória permanece superior à registrada pelo ex-presidente Joe Biden durante a maior parte de seu mandato entre 2021 e 2025, segundo os dados da própria pesquisa.


