Steve Bannon articulou ação com Epstein para "derrubar" o papa Francisco
Documentos do Departamento de Justiça dos EUA indicam troca de mensagens sobre tentativa de enfraquecer pontífice
247 - Mensagens divulgadas recentemente apontam que Steve Bannon, ex-conselheiro do presidente Donald Trump e figura influente na extrema direita mundial, discutiu estratégias de oposição ao Papa Francisco com Jeffrey Epstein. As informações sobre o diálogo com o financista e criminoso sexual, que morreu em 2019 na prisão, constam em documentos liberados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. As informações são da CNN.
A troca de mensagens ocorreu anos após a condenação de Epstein por crimes sexuais e pouco antes de sua prisão por tráfico sexual de menores. Segundo o material, as conversas ocorreram em 2019, período posterior à saída de Bannon do primeiro governo Trump. Os registros mostram tentativas de articulação política contra o pontífice. Nos arquivos, Bannon escreveu a Epstein que pretendia "derrubar o Papa Francisco". Em outra mensagem, o estrategista citou líderes e blocos políticos ao listar adversários.
Papa Francisco como "obstáculo político" para Bannon
Os documentos também sugerem que Epstein colaborava com iniciativas políticas defendidas por Bannon, relacionadas ao avanço da extrema direita na Europa entre 2018 e 2019. O Papa Francisco era visto por Bannon como um obstáculo ao projeto político defendido por ele. O ex-assessor de extrema direita já havia classificado o pontífice como "abaixo de qualquer desprezo" em entrevista concedida anos antes.
Bannon também buscou apoio político de lideranças europeias. Os registros mencionam incentivo para que políticos conservadores atacassem publicamente o papa. Os arquivos indicam ainda interesse de Bannon em transformar em filme o polêmico livro "No Armário do Vaticano", do jornalista francês Frédéric Martel, que faz alegações sobre a homossexualidade no clero. Em mensagens, o estrategista sugeriu que Epstein poderia atuar como produtor executivo do projeto.
Os registros mostram que Epstein encaminhou artigos críticos ao papa para Bannon. Outros trechos revelam que Epstein fez comentários sobre organizar encontros envolvendo o papa e citou frases literárias em conversas com Bannon. Especialistas afirmam que as mensagens indicam tentativa de usar religião como instrumento político estratégico.


