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Mensagens de Bannon no caso Epstein citam atuação nos bastidores da campanha de Jair Bolsonaro

Diálogos revelados em arquivos do caso Epstein mencionam estratégia reservada de apoio ao então candidato nas eleições de 2018 no Brasil

Eduardo Bolsonaro e o estrategista norte-americano Steve Bannon

247 - Mensagens divulgadas nesta sexta-feira (30) pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos trouxeram à tona referências diretas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em conversas privadas envolvendo o estrategista da direita internacional Steve Bannon. Os diálogos integram os arquivos do caso Jeffrey Epstein e foram trocados em outubro de 2018, poucos dias após o primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil, disputadas por Bolsonaro e Fernando Haddad (PT).

A revelação foi publicada inicialmente pelo portal Brasil de Fato, que analisou trechos das conversas tornadas públicas. Em uma mensagem datada de sexta-feira (12), Bannon afirma que precisava “manter essa coisa do Jair [Bolsonaro] nos bastidores”, em referência à sua atuação no contexto eleitoral brasileiro. O interlocutor aparece com o nome ocultado por tarjas, mas, com base no conteúdo e em trocas anteriores, é possivelmente o próprio Jeffrey Epstein.

Na sequência do diálogo, a pessoa de identidade não revelada comenta a postura pública de Bolsonaro durante a campanha. “Não gostei de Bolsonaro chamando qualquer associação com você de ‘fake news’, embora eu compreenda”, afirma. Em seguida, acrescenta: “Eu preferiria um boné MBGA [possível menção a Make Brazil Great Again]”.

Bannon responde destacando sua estratégia de atuação política. “Tenho de manter a coisa do Jair nos bastidores. Meu poder vem de não ter ninguém me defendendo”, escreve o estrategista, conhecido por sua influência em articulações da extrema direita em diferentes países.

As mensagens mostram ainda que, dois dias antes, os dois já discutiam diretamente o cenário eleitoral brasileiro. O interlocutor descreve Bolsonaro como “um divisor de águas” e enumera pontos que considerava positivos. “Sem refugiados querendo entrar. Sem Bruxelas dizendo a ele o que fazer. Ele só tem de reiniciar a economia. Gigante. 1,8 trilhão PIB”, diz o texto. Bannon responde mencionando sua proximidade com aliados do então candidato: “Eu sou muito, muito próximo desses caras — eles me querem como conselheiro. Devo fazer isso?”.

Os diálogos reforçam informações já conhecidas sobre a aproximação entre Bannon e integrantes da família Bolsonaro. Em agosto de 2018, o estrategista encontrou-se com Eduardo Bolsonaro em Nova York, nos Estados Unidos. À época, o então deputado federal afirmou que Bannon era entusiasta da candidatura de Jair Bolsonaro e que ambos manteriam contato “para somar forças, principalmente contra o marxismo cultural”.

Jeffrey Epstein, bilionário norte-americano acusado de comandar um esquema de tráfico e exploração sexual de adolescentes envolvendo mais de mil vítimas, morreu em 2019 enquanto estava preso no Centro Correcional Metropolitano de Nova York. Ele foi encontrado morto em sua cela enquanto aguardava julgamento.

Na sexta-feira (30), o Departamento de Justiça dos Estados Unidos tornou públicos mais de 3 milhões de páginas relacionadas ao caso, incluindo documentos, fotos e vídeos, alguns produzidos pelo próprio Epstein. Os arquivos também revelam acusações contra figuras públicas, entre elas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, citado em denúncias de abuso sexual de uma adolescente.

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