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Trump anuncia cessar-fogo entre Israel e Líbano e mira acordo com Irã

Acordo anunciado pelos EUA eleva expectativas de avanço diplomático, mas ataques na região e impasses com Teerã mantêm cenário instável

Habitantes do sul do Líbano são frequentemente atacados por Israel (Foto: Prensa Latina )
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247 - Israel e Líbano chegaram a um novo acordo de cessar-fogo para interromper as hostilidades entre as partes, em um movimento que pode abrir caminho para negociações mais amplas envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (4) pelo governo do presidente Donald Trump. As informações são da agência Reuters.

Segundo um comunicado conjunto divulgado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos após negociações realizadas em Washington, o entendimento prevê a interrupção dos confrontos sob a condição de que o Hezbollah cesse completamente suas ações militares e retire todos os seus combatentes da região ao sul do rio Litani, no Líbano.

O anúncio reforça as expectativas de um eventual acordo mais abrangente para encerrar a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Teerã vinha condicionando qualquer entendimento com Washington, ao menos em parte, ao fim dos combates entre Israel e o Hezbollah no território libanês.

Ataques ampliam tensão regional

Apesar dos esforços diplomáticos, a situação no Oriente Médio continua marcada por episódios de violência. Mais cedo, o Irã foi acusado de lançar ataques contra o Kuwait, atingindo instalações aeroportuárias e deixando dezenas de feridos, enquanto forças americanas realizavam operações militares próximas ao Estreito de Ormuz.

As autoridades kuwaitianas informaram que voos foram temporariamente suspensos no Aeroporto Internacional do Kuwait após um ataque com drones e mísseis que provocou danos em estruturas aeroportuárias e em instalações diplomáticas. Segundo o governo do país e a mídia estatal, uma pessoa morreu e mais de 60 ficaram feridas.

Posteriormente, as companhias Kuwait Airways e Jazeera Airways retomaram as operações depois da adoção de medidas adicionais de segurança, informou a autoridade de aviação civil do Kuwait.

Versões divergentes sobre ataque ao Kuwait

A Guarda Revolucionária do Irã negou ter atacado deliberadamente o aeroporto kuwaitiano. Segundo a mídia estatal iraniana, a corporação militar atribuiu os danos a mísseis interceptadores americanos que teriam falhado ao atingir seus alvos.

Os militares dos Estados Unidos rejeitaram essa versão e afirmaram que os drones iranianos tinham como objetivo o aeroporto do Kuwait.

Mais cedo, veículos de comunicação iranianos relataram ataques contra instalações militares americanas no Bahrein, incluindo o quartel-general da Quinta Frota dos EUA, além de uma base aérea e uma embarcação identificada como Panaya. O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) negou que suas bases tenham sido atingidas e declarou que os mísseis balísticos iranianos não alcançaram seus objetivos.

Operações militares continuam

O CENTCOM informou ainda ter conduzido uma nova série de "ataques defensivos" no sul do Irã. Segundo os militares americanos, as operações tiveram como alvo plataformas de lançamento de mísseis, embarcações que tentavam posicionar minas marítimas e instalações na ilha de Qeshm, próxima ao Estreito de Ormuz.

Desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, Teerã tem promovido sucessivas ações militares contra alvos localizados na região do Golfo, onde estão concentradas diversas bases americanas.

Embora um cessar-fogo entre EUA, Israel e Irã tenha sido anunciado no início de abril, episódios de violência continuaram sendo registrados nas últimas semanas, evidenciando a fragilidade do acordo.

Ormuz segue como ponto central das negociações

A reabertura do Estreito de Ormuz permanece no centro das negociações diplomáticas. Antes da guerra, a passagem marítima era responsável por cerca de um quinto do comércio global de petróleo e gás natural liquefeito.

Na semana passada, autoridades iranianas e americanas sinalizaram avanços rumo a um entendimento preliminar para interromper os confrontos e restabelecer a navegação na região. Contudo, nenhum acordo formal foi assinado até o momento.

Em entrevista à emissora libanesa Al Mayadeen, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que as negociações permanecem abertas, mas sem avanços concretos. Segundo ele, "as negociações não foram interrompidas, mas nenhum progresso foi feito".

Exigências iranianas permanecem

Além do encerramento dos combates no Líbano, o Irã exige acesso a bilhões de dólares em receitas provenientes da exportação de petróleo, flexibilização de sanções, suspensão das restrições americanas a seus portos e manutenção de influência sobre o Estreito de Ormuz.

O presidente Donald Trump, por sua vez, tem defendido que a principal prioridade dos Estados Unidos é impedir que o Irã obtenha armas nucleares. Teerã sustenta que seu programa atômico possui finalidades exclusivamente pacíficas.

Em entrevista divulgada nesta quarta-feira em um podcast, Trump declarou que o Irã aceitou não desenvolver armamento nuclear e afirmou que o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, participa diretamente das negociações.

Trump vê possibilidade de avanço

Mais tarde, durante conversa com jornalistas na Casa Branca, Trump indicou que um avanço diplomático pode ocorrer nos próximos dias.

"Se acontecer, pode acontecer durante o fim de semana", afirmou o presidente americano, sem detalhar quais medidas poderiam ser anunciadas.

Segundo Trump, os negociadores trabalham para desvincular a questão da reabertura do Estreito de Ormuz dos confrontos entre Israel e Hezbollah no Líbano.

Conflito no Líbano continua

Apesar do anúncio do cessar-fogo, os combates no território libanês continuam. Fontes de segurança do Líbano informaram que ataques com drones israelenses mataram ao menos seis pessoas no sul do país e atingiram um veículo nos arredores de Beirute.

Israel afirmou ter interceptado uma aeronave hostil, que provavelmente teria sido lançada pelo Hezbollah.

Abbas Araqchi advertiu que o Irã responderá de forma contundente caso Israel realize ataques contra Beirute.

Relação entre Trump e Netanyahu

Em outra declaração divulgada no podcast, Trump revelou ter pressionado o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a reduzir as operações militares no Líbano.

"Em certo momento eu disse: Bibi, temos que parar com isso. Temos que parar com isso", afirmou o presidente americano, utilizando o apelido pelo qual Netanyahu é conhecido.

Trump também relatou ter chamado o líder israelense de "louco" durante uma conversa telefônica marcada por divergências sobre a condução da guerra.

Em entrevista à CNBC, Netanyahu reconheceu diferenças de abordagem entre os dois líderes, mas ressaltou que ambos compartilham objetivos centrais em relação ao Irã. Segundo o premiê israelense, ele e Trump têm, por vezes, "divergências táticas", embora estejam alinhados nas questões fundamentais ligadas à segurança regional e ao programa nuclear iraniano.

O conflito já deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, além de provocar impactos econômicos globais significativos, afetando cadeias energéticas e rotas marítimas estratégicas para o comércio internacional.

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