Trump ataca credibilidade democrática dos EUA e utiliza narrativas racistas, diz Human Rights Watch
A organização de direitos humanos também criticou os ataques militares dos EUA a barcos acusados sem provas de transportar drogas no mar do Caribe
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem atacado os pilares da democracia de seu próprio país, afirmou a organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW), em relatório anual divulgado nesta quarta-feira (4). A HRW cita a repressão à imigração, as ameaças ao direito ao voto e outras políticas do presidente republicano.
O governo Trump se apoiou em estereótipos racistas e “adotou políticas e retórica alinhadas com a ideologia nacionalista branca”, diz o relatório.
“É realmente incrível ver como o governo Trump realmente tem minado todos os pilares da democracia dos EUA, todos os freios e contrapesos do poder”, disse o diretor executivo da HRW, Philippe Bolopion, a jornalistas, de acordo com declarações divulgadas pela agência Reuters. “Vemos um ambiente muito hostil nos EUA e um rápido declínio da qualidade da democracia neste país", acrescentou.
Ele criticou o tratamento degradante aos imigrantes e requerentes de asilo, o assassinato de duas pessoas na cidade de Minneapolis pelas forças de segurança interna e a deportação de centenas de migrantes para uma megaprisão em El Salvador, conhecida por suas condições severas.
A HRW também criticou os ataques militares dos EUA a barcos acusados sem provas de transportar drogas no mar do Caribe e criticou Trump por atacar a Venezuela, o que Bolopion disse aos repórteres em uma coletiva de imprensa ser “arriscar um novo desastre de direitos humanos”.
Em 2026, “a luta pelo futuro dos direitos humanos se dará de forma mais acirrada nos EUA, com consequências para o resto do mundo”, disse Bolopion.
“Muitos aliados ocidentais optaram por permanecer em silêncio sobre as medidas americanas porque temem o aumento das tarifas e o enfraquecimento das alianças. O que precisamos urgentemente agora é de uma forte aliança global de países que promovam os direitos humanos e a ordem mundial baseada em regras", disse ele.



