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Trump critica OTAN por ausência na guerra contra o Irã

Presidente dos EUA criticou aliados europeus por não apoiarem ofensiva contra Teerã e ouviu defesa de Mark Rutte sobre papel da aliança

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aperta a mão do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, durante uma reunião no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, D.C., Estados Unidos, em 24 de junho de 2026 (Foto: REUTERS/Evan Vucci)
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247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a pressionar os aliados europeus da OTAN por não terem participado diretamente da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, em reunião com o secretário-geral da aliança militar, Mark Rutte, no Salão Oval da Casa Branca. As informações são da Al Jazeera.

Durante o encontro, Trump afirmou que os Estados Unidos não precisavam de apoio militar para enfrentar Teerã, mas disse considerar decepcionante a falta de disposição pública dos países da OTAN em ajudar no conflito. A conversa ocorre em meio a tensões internas na aliança e às vésperas da cúpula anual da organização, marcada para 7 de julho, em Ancara, capital da Turquia.

“Não precisamos de ajuda nenhuma para isso. Nós os desmantelamos literalmente na primeira semana”, disse Trump sobre o Irã.

“Mas teria sido bom se eles tivessem dito: 'Gostaríamos de ajudar'. Nós nem precisávamos, mas teria sido bom se eles tivessem dito isso”, acrescentou o presidente dos EUA.

Trump também indicou que discutiria o tema de forma mais aprofundada com Rutte em uma reunião a portas fechadas.

“Vamos discutir o que aconteceu e ver o que acontece”, afirmou.

Críticas de Trump à OTAN

A cobrança de Trump retoma uma linha de pressão recorrente sobre os países europeus da OTAN. O presidente dos EUA já havia manifestado insatisfação com o nível de participação dos aliados em ações militares e, no caso da guerra contra o Irã, voltou a sugerir que a postura europeia poderia ter consequências para o futuro da aliança.

Em março, no auge do bloqueio iraniano ao Estreito de Ormuz, Trump pediu que países da OTAN enviassem forças militares para proteger a hidrovia, estratégica para o comércio global de petróleo, gás natural e fertilizantes. Na ocasião, alertou que “será muito ruim para o futuro da OTAN” se os aliados não atuassem.

Apesar de nenhum país da aliança ter enviado tropas diretamente ao conflito, Rutte tentou demonstrar que os europeus contribuíram de outras formas. Segundo ele, as bases militares no continente tiveram papel importante na operação dos Estados Unidos.

“Quando você analisa os números, entre quatro e cinco mil aviões americanos decolaram de bases na Europa durante as seis semanas em que essa guerra ocorreu”, disse Rutte.

“Sei que houve casos isolados que o desapontaram bastante, mas, de um modo geral, os seus aliados europeus estiveram presentes”, completou.

Rutte tenta defender aliados europeus

No encontro, Rutte exibiu gráficos sobre o aumento dos gastos militares dos países da OTAN, em uma tentativa de mostrar que os aliados vêm ampliando seus compromissos com a defesa. O secretário-geral também elogiou as ações dos Estados Unidos contra o Irã e buscou reforçar sua proximidade com Trump.

“Quero deixar bem claro o quão importante é o que você está fazendo em relação ao Irã”, afirmou Rutte, chamando Trump de “líder do mundo livre”.

“Antes de mais nada, trata-se da capacidade nuclear que o Irã estava basicamente adquirindo — e isso teria sido uma ameaça para a região. Teria sido uma ameaça para o mundo inteiro. Este é um país que exporta o caos, que exporta o terrorismo”, declarou.

Apesar da fala de Rutte,  não havia provas de que o Irã estivesse prestes a obter armas nucleares quando Estados Unidos e Israel lançaram os ataques em 28 de fevereiro, dando início à guerra. A ofensiva ocorreu enquanto Washington ainda negociava com Teerã o futuro do programa nuclear iraniano, e especialistas criticaram a ação militar como não provocada e possivelmente contrária ao direito internacional.

Trump elogia Rutte, mas mantém cobrança

Embora tenha mantido críticas duras à OTAN, Trump elogiou pessoalmente Rutte durante a reunião. O presidente dos EUA chamou o secretário-geral de “ótimo cara, um ótimo líder, um ótimo secretário-geral”.

“Se qualquer outra pessoa estivesse nessa posição, para ser honesto, nem estaríamos reunidos hoje, porque fomos decepcionados”, disse Trump, ao se referir à sua frustração com a aliança.

Rutte reconheceu que havia motivos para insatisfação, mas procurou limitar o alcance das críticas de Trump.

“Concordo que há motivos para decepção, sem dúvida. Mas meu argumento é o seguinte: esses são casos isolados”, afirmou.

Trump não pareceu convencido pela defesa, mas voltou a elogiar a disposição de Rutte.

“Acho que se eu tivesse ligado para ele, ele provavelmente teria encontrado uma maneira de ajudar se precisássemos”, declarou o presidente dos EUA.

Guerra provocou milhares de mortes no Irã

A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã causou forte impacto no Oriente Médio e na economia global. De acordo com as informações fornecidas, milhares de civis iranianos morreram e milhões de pessoas foram temporariamente deslocadas pelo conflito.

No início da semana, representantes dos Estados Unidos e do Irã estiveram na Suíça para discutir um memorando de cessar-fogo provisório, assinado em 17 de junho. Um dos principais pontos de impasse nas negociações continua sendo o controle do Estreito de Ormuz, passagem marítima fundamental para o comércio internacional.

Desde o começo da guerra, o Irã havia bloqueado o tráfego pelo estreito, localizado próximo à sua costa. O memorando de junho levou Teerã a suspender o bloqueio da hidrovia enquanto novas discussões avançam.

A reunião entre Trump e Rutte, portanto, expôs novamente a tensão entre Washington e os aliados europeus sobre o grau de envolvimento da OTAN em conflitos liderados pelos Estados Unidos, especialmente em um momento em que a aliança se prepara para sua cúpula anual na Turquia.