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Trump diz que cessar-fogo continua em vigor após novos ataques

EUA e Irã trocaram acusações após confrontos no Estreito de Ormuz

Donald Trump (Foto: Reuters)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o cessar-fogo entre os EUA e o Irã continua em vigor, apesar de novos confrontos no Golfo e da troca de acusações entre Washington e Teerã.

A escalada ocorreu no momento em que os Estados Unidos aguardavam uma resposta do Irã a uma proposta para encerrar a guerra, iniciada em 28 de fevereiro, após ataques aéreos conjuntos de EUA e Israel em território iraniano, segundo a Reuters.

Os choques colocaram sob pressão uma trégua em vigor há um mês e reacenderam temores sobre a estabilidade no Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula cerca de um quinto do fluxo mundial de petróleo e gás natural liquefeito. Desde o início do conflito, o Irã praticamente fechou a rota marítima.

Trump afirmou na quinta-feira (7) que três destróieres da Marinha americana foram atacados enquanto atravessavam o estreito, mas disse que as embarcações não sofreram danos. Em publicação no Truth Social, o presidente dos Estados Unidos escreveu: “Três destróieres americanos de classe mundial acabaram de transitar, com muito sucesso, pelo Estreito de Ormuz, sob fogo inimigo. Os três destróieres não sofreram danos, mas os atacantes iranianos sofreram grandes danos”.

Mais tarde, ao falar com jornalistas em Washington, Trump minimizou o episódio e reiterou que a trégua seguia válida. “Eles brincaram conosco hoje. Nós os derrotamos facilmente”, afirmou.

Acusações entre Washington e Teerã

O comando militar conjunto do Irã acusou os Estados Unidos de violarem o cessar-fogo ao atacarem um petroleiro iraniano e outro navio, além de realizarem ataques aéreos contra áreas civis na ilha de Qeshm, localizada no Estreito de Ormuz, e em regiões costeiras próximas.

Segundo os militares iranianos, a resposta de Teerã incluiu ataques contra navios militares americanos a leste do estreito e ao sul do porto de Chabahar. Um porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya afirmou que as ações iranianas causaram “danos significativos”.

O Comando Central dos Estados Unidos, por sua vez, declarou que nenhum de seus ativos foi atingido. Horas depois, a Press TV, do Irã, informou que, após várias horas de tiroteio, “a situação nas ilhas iranianas e nas cidades costeiras do Estreito de Ormuz voltou ao normal”.

Desde que o cessar-fogo entrou em vigor, em 7 de abril, os dois lados têm trocado tiros de forma ocasional. 

Emirados acionam defesas aéreas 

Os Emirados Árabes Unidos afirmaram que suas defesas aéreas estavam interceptando drones e mísseis iranianos em meio aos novos ataques. Poucos detalhes foram divulgados inicialmente sobre a ofensiva mais recente contra o país.

Desde o começo da guerra, Teerã tem mirado com frequência os Emirados e outros países do Golfo que recebem instalações militares dos Estados Unidos. A nova rodada de ataques elevou a percepção de risco regional e ampliou a preocupação com a segurança da infraestrutura energética e das rotas marítimas.

Petróleo sobe com tensão no Estreito de Ormuz

Os preços do petróleo subiram no início dos negócios na Ásia nesta sexta-feira (8), com o Brent superando US$ 100 por barril após os confrontos mais recentes. As bolsas recuaram depois de fortes ganhos registrados durante a semana, impulsionados anteriormente pela expectativa de uma solução rápida para a crise.

“Apesar das hostilidades em curso e dos preços do petróleo ainda elevados, os mercados estão precificando uma duração limitada”, afirmou Marija Veitmane, chefe de pesquisa de ações da State Street Markets.

A guerra também atingiu diretamente a infraestrutura energética do Oriente Médio. Segundo o relato, 20 refinarias de petróleo na região foram atacadas ou realizaram paralisações preventivas em meio a ofensivas com drones desde o início do conflito. Até meados de abril, mais de 2,3 milhões de barris por dia de capacidade estavam fora de operação.

Trump diz que negociações continuam

Apesar dos confrontos, Trump indicou que as conversas com Teerã permanecem em andamento. “Estamos negociando com os iranianos”, disse o presidente dos Estados Unidos a repórteres.

Antes da nova escalada, Washington havia apresentado uma proposta para encerrar formalmente o conflito. O plano, no entanto, não tratava de exigências centrais dos Estados Unidos, como a suspensão do programa nuclear iraniano e a reabertura do Estreito de Ormuz.

Teerã informou que ainda não havia tomado uma decisão sobre o plano em discussão. Questionado sobre quando um acordo poderia ser alcançado, Trump respondeu: “Pode não acontecer, mas pode acontecer a qualquer dia”. 

A guerra tem pressionado a relação de Trump com sua base de apoio nos Estados Unidos, depois de ele ter feito campanha contra o envolvimento americano em guerras externas e prometido reduzir os preços dos combustíveis. Desde o fim de fevereiro, o preço médio da gasolina nos EUA subiu mais de 40%, avançando cerca de US$ 1,20 por galão e passando de US$ 4, segundo dados da American Automobile Association, em meio às interrupções no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz.

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