Trump diz ter “excelente relação” com governantes da Venezuela e propõe mediação no Nilo
Presidente dos Estados Unidos afirma avanço no diálogo com Caracas e propõe retomada de negociações entre Egito e Etiópia
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que mantém atualmente uma relação “excelente” com as autoridades que governam a Venezuela e avaliou que, em poucos dias, houve mudanças relevantes no cenário político entre os dois países. A declaração foi feita sexta-feira (16), durante uma intervenção na Casa Branca, na qual o mandatário abordou tanto o diálogo com Caracas quanto iniciativas diplomáticas em outras regiões do mundo.
Segundo Trump, a postura dos Estados Unidos em relação à Venezuela passou por uma transformação recente. Ele afirmou que o ambiente bilateral é hoje “muito diferente” e elogiou o país sul-americano. “Gosto muito da Venezuela e digo coisas boas. Não tenho nada de negativo a dizer sobre a Venezuela, é um país grandioso”, declarou o presidente dos Estados Unidos.
Trump ressaltou que, em cerca de uma semana, a situação venezuelana “mudou bastante” e destacou que Washington mantém, neste momento, “uma excelente relação com quem governa a Venezuela”. De acordo com ele, o processo de diálogo contribuiu para reduzir tensões acumuladas. “Muita pressão foi liberada”, afirmou.
O presidente dos Estados Unidos também revelou ter mantido contato direto com a presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, descrevendo a conversa como positiva. “Foi uma grande conversa. É alguém com quem trabalhamos muito bem. O secretário de Estado, Marco Rubio, está lidando com ela. Eu cuidei disso esta manhã. Tivemos uma ligação longa. Falamos de muitas coisas e acho que nos damos muito bem com a Venezuela”, disse Trump.
Delcy Rodríguez confirmou o teor do diálogo e classificou a conversa como “longa, produtiva e cortês”, realizada “em um marco de respeito mútuo”. Segundo ela, os dois lados trataram de uma “agenda de trabalho bilateral em benefício” dos povos de ambos os países, além de questões pendentes na relação entre Caracas e Washington.
As declarações de Trump ocorrem após a ofensiva militar lançada pelos Estados Unidos sexta-feira (3), sob o argumento de combate ao narcoterrorismo, que atingiu Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. A operação resultou em mortes de civis e militares e no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, posteriormente levados a Nova York. O governo venezuelano classificou a ação como uma “gravíssima agressão militar” e denunciou a tentativa de violação de sua soberania e de seus recursos estratégicos.
De acordo com o Ministério do Interior, Justiça e Paz da Venezuela, ao menos 100 pessoas morreram durante os ataques, entre elas integrantes do esquema de segurança presidencial. Diversos países se manifestaram publicamente pela libertação de Maduro e Flores, defendendo o direito da Venezuela de decidir seu próprio destino sem interferência externa.
Ainda sexta-feira (16), Trump anunciou disposição para retomar a mediação dos Estados Unidos no impasse entre Egito e Etiópia em torno do uso das águas do rio Nilo. Em carta enviada ao presidente egípcio, Abdelfatah al Sisi, o presidente dos Estados Unidos afirmou estar pronto para reiniciar a mediação com o objetivo de resolver a disputa sobre o compartilhamento do recurso hídrico.
“No espírito de nossa amizade pessoal e do compromisso dos Estados Unidos com a paz e o bem-estar do povo egípcio, estou pronto para reiniciar a mediação entre Egito e Etiópia para resolver de forma responsável a questão do repartimento da água do Nilo”, escreveu Trump. Ele apontou a resolução das tensões em torno da Grande Barragem do Renascimento Etíope como uma de suas prioridades na busca por uma paz duradoura no Oriente Médio e na África.
Na mensagem, o presidente dos Estados Unidos afirmou que “nenhum Estado da região deve controlar unilateralmente os preciosos recursos do Nilo e prejudicar seus vizinhos”. Trump acrescentou compreender a “profunda importância” do rio para o Egito e defendeu um acordo que atenda, a longo prazo, às necessidades de água do Egito, do Sudão e da Etiópia. “Com a experiência técnica adequada, negociações justas e transparentes e um forte papel dos Estados Unidos na supervisão e coordenação entre as partes, podemos alcançar um acordo duradouro para todas as nações da bacia do Nilo”, concluiu.


