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Trump e Xi discutem redução de tarifas sobre US$ 30 bilhões em comércio bilateral

Estados Unidos e China negociam criação de mecanismo para ampliar comércio de produtos não estratégicos, segundo a agência Reuters

Donald Trump e Xi Jinping (Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein)
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247 - Os governos dos Estados Unidos e da China avançam nas negociações para reduzir tarifas sobre cerca de US$ 30 bilhões em importações bilaterais, em uma tentativa de criar um novo mecanismo de comércio voltado a produtos considerados não sensíveis à segurança nacional. As informações foram publicadas pela Reuters nesta terça-feira (13).

O plano, que vem sendo discutido por autoridades dos dois países, deverá integrar a pauta da cúpula entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês Xi Jinping, em Pequim. A proposta foi mencionada pela primeira vez em março pelo representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, sob o nome de “Conselho de Comércio”.

A iniciativa marca uma mudança significativa na postura de Washington em relação à China. Diferentemente de negociações anteriores, os EUA deixaram de exigir alterações estruturais no modelo econômico chinês, fortemente baseado na atuação estatal e nas exportações. Agora, o foco está concentrado em metas comerciais específicas em setores considerados não estratégicos, enquanto permanecem restrições sobre tecnologias sensíveis.

Em entrevista à Fox Business Network, Greer afirmou que os EUA não pretendem modificar o sistema econômico chinês. “Não se trata de uma situação em que vamos fazer com que a China mude sua forma de governar, de administrar sua economia”, declarou. Segundo ele, o objetivo é encontrar formas de equilibrar o comércio entre as duas potências.

Greer ainda comparou o possível mecanismo comercial a um “adaptador” capaz de conectar sistemas econômicos diferentes. “Tudo isso está embutido no sistema deles, mas acho que existe um mundo em que descobrimos onde podemos otimizar o comércio entre a China e os Estados Unidos para obter mais equilíbrio”, acrescentou.

Nesta quarta-feira (13), o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reuniu-se durante três horas com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, em Incheon, na Coreia do Sul. O encontro teve como objetivo consolidar as propostas econômicas que deverão ser debatidas entre Trump e Xi na capital chinesa. Apesar da relevância da reunião, nenhuma das autoridades divulgou comunicado oficial após a conversa.

De acordo com pessoas ligadas ao governo norte-americano ouvidas pela reportagem, a expectativa é que o acordo inicial contemple uma redução de barreiras comerciais equivalente a US$ 30 bilhões. Ainda não há confirmação sobre quais produtos poderão ser incluídos no pacote.

A ex-negociadora do Escritório do Representante de Comércio dos EUA Wendy Cutler afirmou que as duas partes estão convergindo para um entendimento sobre uma cesta de mercadorias entre US$ 30 bilhões e US$ 50 bilhões. “A cesta não sensível é agora uma parte muito pequena de nosso comércio geral com a China. Portanto, talvez esse Conselho de Comércio comece com isso”, disse Cutler durante fórum virtual promovido pela Asia Society.

Os números mais recentes mostram uma retração importante no comércio entre as duas maiores economias do planeta. Segundo dados do Departamento do Censo dos EUA, o comércio bilateral caiu 29%, passando de US$ 582 bilhões em 2024 para US$ 415 bilhões em 2025. O déficit comercial norte-americano com a China também recuou quase 32%, chegando a US$ 202 bilhões, o menor patamar em duas décadas.

Embora os EUA utilizem o termo “Conselho de Comércio”, o governo chinês evita adotar oficialmente essa nomenclatura. Em março, Pequim informou apenas que os dois países haviam “concordado em explorar o estabelecimento de mecanismos de trabalho para expandir a cooperação econômica e comercial”.

As negociações incluem especialmente os setores de energia e agricultura. A China atualmente mantém uma tarifa adicional de 10% sobre todas as importações dos Estados Unidos. Além disso, aplica sobretaxas retaliatórias de 10% sobre petróleo bruto, 15% sobre gás natural liquefeito e carvão, além de tarifas que podem chegar a 55% sobre carne bovina norte-americana.

Do lado norte-americano, permanecem em vigor tarifas de 7,5% sobre diversos produtos chineses implementadas durante a guerra comercial iniciada no primeiro mandato de Donald Trump. Entre os itens afetados estão televisores, dispositivos de memória flash, caixas de som inteligentes, fones Bluetooth, roupas de cama, impressoras multifuncionais e vários tipos de calçados. Os EUA também mantêm uma tarifa temporária adicional de 10% sobre produtos chineses, com validade prevista até julho.

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