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Trump vê fim próximo da guerra com o Irã “pacificamente ou não”

Presidente dos EUA diz que está otimista e que o Irã “quer muito fazer um acordo”

EUA-Irã (Foto: Prensa Latina )
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247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que vê fim próximo da guerra com o Irã e disse que um acordo pode sair sem ajuda da China, em meio à análise, por Teerã, de uma proposta apresentada por Washington para encerrar o conflito. As informações são da Al Jazeera.

A declaração ocorre em um momento de intensa disputa diplomática. Segundo a Al Jazeera, Trump afirmou que os Estados Unidos vencerão a guerra contra o Irã “pacificamente ou não” e sustentou que a participação chinesa não é necessária para se chegar a um entendimento.

Em declarações a jornalistas na Casa Branca, Trump indicou otimismo em relação às conversas com Teerã. Ele disse que o Irã quer “muito fazer um acordo” e afirmou que, se houver entendimento, os iranianos “não podem ter armas nucleares”.

“Temos tido conversas muito boas nas últimas 24 horas, e é muito possível que façamos um acordo”, declarou Trump, de acordo com a Al Jazeera. Em outra fala, o presidente norte-americano afirmou que o conflito “acabará rapidamente”.

Diplomacia sob ameaça militar

Apesar do tom otimista, Trump manteve a ameaça de retomada da ofensiva caso as negociações fracassem. Em entrevista citada pela Al Jazeera, ele disse acreditar que há “uma chance muito boa” de encerramento do conflito, mas advertiu que, se isso não ocorrer, os EUA terão de voltar a bombardear o Irã.

O governo norte-americano tenta avançar em uma proposta de paz enquanto Teerã avalia os termos apresentados por Washington. A negociação envolve temas centrais para os dois lados, incluindo o programa nuclear iraniano e o controle do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo e gás.

Relatos citados pela Al Jazeera apontam que EUA e Irã discutem um memorando para formalizar o fim do conflito. O documento, segundo informações atribuídas à Reuters e à Axios, poderia incluir o compromisso iraniano de não desenvolver armas nucleares e de suspender o enriquecimento de urânio por pelo menos 12 anos.

Em contrapartida, os Estados Unidos suspenderiam sanções, liberariam bilhões de dólares em ativos iranianos congelados e os dois países reabririam o Estreito de Ormuz em até 30 dias após a assinatura do acordo. A Al Jazeera ressalta, porém, que não está claro como esse memorando se diferencia do plano de 14 pontos apresentado anteriormente pelo Irã.

Irã vê proposta com cautela

Autoridades iranianas adotaram tom cauteloso diante dos relatos sobre um possível avanço. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que Teerã ainda não apresentou resposta à proposta dos Estados Unidos e que a análise dos textos trocados continua em andamento.

No Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, porta-voz da Comissão de Política Externa e Segurança Nacional, classificou o texto norte-americano como “mais uma lista de desejos americana do que uma realidade”. Ele também afirmou que “os americanos não conseguirão em uma guerra que estão perdendo aquilo que não conseguiram em negociações cara a cara”.

A agência semioficial iraniana Tasnim, citada pela Al Jazeera, informou que a proposta dos EUA contém pontos considerados inaceitáveis por Teerã, sem detalhar quais seriam esses termos.

Linhas vermelhas de Teerã

A Al Jazeera informou que o Irã estabeleceu linhas vermelhas claras nas negociações. Entre elas estão a preservação de seu programa de enriquecimento nuclear e a recusa em transferir para fora do país o estoque de urânio altamente enriquecido.

O correspondente da Al Jazeera em Teerã, Almigdad al-Ruhaid, afirmou que as autoridades iranianas consideram o enriquecimento nuclear um ponto “não negociável”. Segundo ele, Teerã também resiste à retirada de seu estoque de urânio altamente enriquecido do território iraniano.

Outro ponto sensível é o Estreito de Hormuz. A Guarda Revolucionária iraniana anunciou novas regras para a passagem de embarcações pela rota, incluindo pagamentos em moeda iraniana e reparações de países envolvidos na guerra antes da concessão de autorização de trânsito.

Netanyahu reforça exigência nuclear

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também entrou no debate ao afirmar que conversaria com Trump e que ambos concordavam com a exigência de retirada de todo o urânio enriquecido do Irã.

A posição israelense reforça a centralidade da pauta nuclear nas negociações. Trump tem insistido que qualquer acordo precisa impedir o Irã de obter armas nucleares, enquanto Teerã sustenta que seu programa tem finalidade civil.

O impasse ocorre em meio a tensões militares no Golfo. Segundo o Comando Central dos EUA, forças norte-americanas desativaram um petroleiro de bandeira iraniana no Golfo de Omã após o navio supostamente não cumprir advertências. Washington afirmou que o bloqueio contra embarcações que tentem entrar ou sair de portos iranianos segue em vigor.

A combinação de negociações, ameaças militares e disputa pelo controle do Estreito de Ormuz mantém o conflito em uma fase de alta instabilidade. Embora Trump afirme que o fim da guerra está próximo, as declarações de Teerã indicam que ainda há obstáculos relevantes antes de qualquer acordo definitivo.

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