Trump fala sobre possível agressão militar contra Cuba
Declaração ocorre após Díaz-Canel cobrar o fim das sanções e denunciar pressões de Washington contra a ilha
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu nesta sexta-feira (19) a possibilidade de uma agressão militar contra Cuba ao comentar o tema em entrevista. A declaração ocorreu poucas horas após autoridades cubanas denunciarem que Washington tenta impor ao país uma agenda política e econômica. As informações são da RT Brasil.
Trump foi questionado sobre uma eventual operação militar contra Cuba e sobre semelhanças com a ação autorizada por seu governo na Venezuela no início deste ano. Em resposta, afirmou: "A diferença é que a Venezuela tem petróleo, Cuba não".
Ao voltar a comentar o tema, o mandatário estadunidense declarou: "É possível. Esses lugares estão perto. Já se você olhar para o Irã, é uma viagem muito longa (...) A Venezuela está relativamente perto e Cuba está a um passo".
Trump também afirmou que Havana busca diálogo com Washington. "Cuba quer conversar desesperadamente", disse. Na mesma entrevista, voltou a atribuir ao secretário de Estado, Marco Rubio, a condução da política da Casa Branca para a ilha e elogiou seu trabalho.
Questionado sobre a existência de uma espécie de prazo para uma mudança na relação entre os dois países após o acordo alcançado com o Irã, Trump respondeu que há uma "linha flexível".
Mensagem de Díaz-Canel aos EUA
Na quinta-feira (18), durante o encerramento da Terceira Sessão Extraordinária da Assembleia Nacional do Poder Popular, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, dirigiu uma mensagem ao governo estadunidense.
"Não se pode falar de liberdade enquanto se empurra deliberadamente um povo inteiro ao desespero pela falta de recursos que hoje são vitais para sua existência", afirmou. Em seguida, o presidente cubano fez um apelo pelo fim das restrições impostas à ilha.
"Ao governo dos EUA dizemos, sem ódio, mas sem medo: se realmente querem ajudar o povo cubano, deixem-nos viver! Deixem Cuba comercializar; deixem Cuba comprar seus medicamentos; deixem Cuba importar seu combustível; deixem Cuba receber investimentos, créditos e financiamentos, relacionar-se normalmente com seus emigrados e com o mundo. Deixem Cuba mostrar ao planeta do que este povo é capaz quando não há obstáculos aos seus esforços para se desenvolver!", declarou sob aplausos.
Críticas ao bloqueio e à ameaça militar
Ao defender as transformações econômicas recentemente aprovadas pela Assembleia Nacional, Díaz-Canel criticou o que classificou como ameaça de agressão militar contra Cuba.
O governo dos Estados Unidos mantém há mais de seis décadas um bloqueio econômico e comercial criminoso contra a ilha. A política foi endurecida desde o início do segundo mandato de Trump, em janeiro de 2025.



