Trump publica imagem de IA fincando bandeira dos EUA na Groenlândia
Publicações do presidente dos Estados Unidos intensificam o debate sobre o interesse americano no território dinamarquês
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou imagens geradas por inteligência artificial nas redes sociais sobre a Groenlândia. As postagens, feitas durante a madrugada na plataforma Truth Social, foram interpretadas como provocativas e voltaram a colocar no centro do debate a relação dos EUA com o território autônomo ligado à Dinamarca.
Uma das imagens mostra Trump conversando com líderes europeus no Salão Oval, com um mapa do Hemisfério Ocidental ao fundo. Na representação artificial, a bandeira dos Estados Unidos aparece sobreposta não apenas ao território americano, mas também sobre o Canadá, a Venezuela e a Groenlândia.
Outra imagem criada por inteligência artificial retrata o presidente dos Estados Unidos erguendo a bandeira americana em uma paisagem montanhosa e coberta de neve. No canto da cena, surge a inscrição “Território dos EUA na Groenlândia – estabelecido em 2026”. Atrás de Trump aparecem o vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, também inseridos digitalmente na composição.
As publicações reforçam um tema recorrente no discurso de Trump: o interesse estratégico dos Estados Unidos pela Groenlândia. Embora o território seja autônomo, ele faz parte do Reino da Dinamarca, e qualquer tentativa de mudança de soberania envolve questões diplomáticas sensíveis e históricas.
O interesse americano pela maior ilha do mundo não é recente. Ele remonta ao século XIX, quando William H. Seward, então secretário de Estado, cogitou a compra da Groenlândia e da Islândia logo após a aquisição do Alasca da Rússia, em 1867. A proposta nunca avançou, mas marcou o início de uma atenção contínua dos EUA sobre a região.
Ao longo do século XX, a Groenlândia voltou a ser considerada estrategicamente relevante em diferentes momentos. Em uma dessas ocasiões, chegou-se a discutir a possibilidade de uma troca territorial entre os Estados Unidos e a Dinamarca envolvendo áreas nas Filipinas, ideia que também não prosperou.
Após a Segunda Guerra Mundial, em 1946, o então presidente americano Harry Truman fez uma oferta formal à Dinamarca: 100 milhões de dólares em ouro pela Groenlândia. O governo dinamarquês recusou a proposta, mantendo o controle sobre o território, apesar da presença militar e do interesse estratégico dos Estados Unidos na região.


