Trump sugere que Ormuz poderia ser “controlado conjuntamente” por ele e “quem quer que seja o aiatolá”
Chefe da Casa Branca associa a possibilidade a “uma forma muito séria de mudança de regime”.
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta segunda-feira (23), que o Estreito de Ormuz “será reaberto muito em breve”, se as negociações com o Irã avançarem.
Ao comentar o controle da rota estratégica, sugeriu que ela poderia ser “controlada conjuntamente” por ele e “quem quer que seja o aiatolá”, associando a possibilidade a “uma forma muito séria de mudança de regime”, informa a CNBC.
Também na segunda-feira Trump anunciou a suspensão, por cinco dias, de ataques militares contra usinas e infraestrutura energética do Irã, após relatar avanços em conversas com autoridades iranianas. A declaração foi feita em sua rede Truth Social.
Trump afirmou em ligação ao jornalista Joe Kernen da CNBC que “estamos muito empenhados em fazer um acordo com o Irã”, indicando uma possível mudança de rumo no conflito. A emissora também relatou que os mercados reagiram imediatamente à notícia, com alta nos futuros das bolsas americanas, queda do dólar frente a outras moedas e recuo nos preços do petróleo.
Apesar das declarações do presidente dos Estados Unidos, autoridades iranianas negaram que qualquer negociação esteja em curso. A mídia estatal do país, citando uma “autoridade de segurança sênior”, afirmou que não houve contatos, nem diretos nem indiretos, entre Washington e Teerã.
“Não houve negociação e não há negociação, e com esse tipo de guerra psicológica, nem o Estreito de Ormuz retornará às suas condições pré-guerra, nem haverá paz nos mercados de energia”, disse a autoridade, segundo a imprensa iraniana.
Trump, no entanto, reiterou que os diálogos ocorreram e classificou as conversas como intensas. Ele declarou que houve “conversas muito, muito fortes” que produziram “pontos importantes de concordância”, incluindo o compromisso de que o Irã “nunca terá uma arma nuclear”.
Falando a jornalistas em Palm Beach, na Flórida, o presidente dos Estados Unidos afirmou que o encontro envolveu seu genro, Jared Kushner, e o enviado especial Steve Witkoff, que teriam se reunido no domingo com “uma pessoa importante” do lado iraniano.
“Eles querem muito fazer um acordo. Nós também gostaríamos de fazer um acordo”, disse Trump. “Vamos nos reunir hoje, provavelmente por telefone, porque é... muito difícil para eles saírem, imagino. Mas, em algum momento, muito em breve, nos encontraremos.”
O chefe da Casa Branca indicou que o desfecho dependerá do sucesso da pausa nas operações militares. “Caso contrário, continuaremos bombardeando com toda a força”, afirmou.
Em publicação anterior, o presidente dos Estados Unidos afirmou que Washington e Teerã tiveram “CONVERSAS MUITO BOAS E PRODUTIVAS SOBRE UMA RESOLUÇÃO COMPLETA E TOTAL DE NOSSAS HOSTILIDADES NO ORIENTE MÉDIO”, acrescentando que os contatos devem continuar ao longo da semana. Não há detalhes confirmados sobre participantes, local ou formato dessas tratativas.
Durante a entrevista à CNBC, Trump também classificou o momento como potencialmente decisivo e afirmou manter expectativa de resultados concretos. Ele reiterou, segundo a emissora, que o cenário no Irã pode ser descrito como uma mudança de regime.
A Casa Branca não respondeu aos pedidos da CNBC por mais informações sobre as supostas negociações, nem comentou imediatamente a negativa iraniana.
A decisão de adiar os ataques ocorre após um ultimato de 48 horas emitido por Washington no sábado, exigindo a reabertura do Estreito de Ormuz sob ameaça de bombardeios. O prazo terminaria na noite desta segunda-feira.
O estreito é um dos principais corredores marítimos do mundo, conectando o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e sendo responsável pela passagem de cerca de 20% do petróleo e gás consumidos globalmente.
A escalada militar recente agravou a situação na região. Desde os ataques aéreos realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz praticamente foi interrompido. Em resposta, forças iranianas passaram a atingir embarcações que tentavam cruzar a rota, com diversos incidentes registrados nas últimas semanas.
O porta-voz do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, chegou a alertar que infraestruturas críticas e instalações energéticas no Golfo Pérsico poderiam ser “irreversivelmente destruídas” caso usinas iranianas fossem atingidas.


