Acelen fecha pacote de US$ 1,1 bilhão para projeto de combustível sustentável na Bahia
Empresa controlada pela Mubadala investirá em biorefinaria para produção de SAF e diesel renovável em São Francisco do Conde
247 - A Acelen concluiu a estruturação de um pacote de financiamento e garantias superior a US$ 1,1 bilhão para viabilizar seu projeto de combustíveis renováveis na Bahia. A informação foi divulgada em documentos apresentados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e publicada originalmente pelo portal Brazil Stock Guide.
O projeto será implantado em São Francisco do Conde, no complexo industrial ligado à Refinaria de Mataripe, antiga Refinaria Landulpho Alves (RLAM), que pertencia à Petrobras. A iniciativa prevê a produção de combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel renovável a partir do processamento de óleos vegetais e gorduras animais.
Segundo os documentos da operação, o núcleo do financiamento soma US$ 830 milhões. Desse total, US$ 520 milhões vieram de instituições de desenvolvimento, entre elas IDB Invest, IFC, FinDev Canada, AIIB e BNDES. Outros US$ 310 milhões foram captados junto a bancos comerciais por meio da Acelen Offshore.
Além do financiamento principal, a companhia também estruturou uma emissão local de debêntures de até R$ 422,6 milhões, cartas de crédito de até US$ 100 milhões e uma linha de suporte de liquidez de até US$ 150 milhões. Com isso, o pacote totaliza cerca de US$ 1,15 bilhão.
A nova biorefinaria terá capacidade para processar 20 mil barris por dia de matérias-primas renováveis destinadas à produção de SAF e diesel verde. A escritura da emissão de debêntures da Acelen Industrial, datada de 13 de maio de 2026, estabelece que os recursos serão destinados ao desenvolvimento, construção, implementação, operação e manutenção da unidade industrial e das estruturas associadas.
A emissão local foi estruturada em 13 séries, com garantias reais, prazo de 57 meses e remuneração equivalente a 100% da taxa DI acrescida de spread anual de 1,92%.
A operação possui características típicas de um modelo de project finance, incluindo dívida de longo prazo, garantias robustas, contas vinculadas, contratos específicos para o projeto, instrumentos de hedge e mecanismos de proteção aos credores.
A iniciativa reforça a estratégia da Acelen de transformar a Refinaria de Mataripe em uma plataforma integrada de energia e transição energética. Controlada pela Mubadala Capital, a refinaria é apontada pela empresa como a segunda maior do Brasil, com capacidade de processamento superior a 300 mil barris por dia.
A infraestrutura inclui 201 tanques de armazenamento, quatro terminais e aproximadamente 679 quilômetros de dutos conectando a planta aos terminais portuários. Esse conjunto operacional é apontado como um dos fatores que aumentaram o interesse dos financiadores no projeto.
Em 2025, a Refinaria de Mataripe registrou EBITDA de R$ 2,7 bilhões, lucro líquido de R$ 719 milhões e receita líquida de R$ 45,3 bilhões, revertendo o prejuízo de R$ 1,9 bilhão registrado em 2024. Em dólares, o EBITDA alcançou US$ 504 milhões, acima dos US$ 450 milhões do ano anterior.
A companhia também informou ter encerrado 2025 com R$ 2 bilhões em caixa consolidado e destacou investimentos de aproximadamente R$ 4 bilhões na modernização da refinaria desde 2021.
No ano passado, a produção média anual atingiu 259 mil barris por dia, crescimento de 6% em relação a 2024 e de 25% na comparação com o período anterior à atual gestão, segundo relatório da administração da refinaria.



