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Amazon bate projeções no 4º trimestre, mas ações caem com plano de investimentos bilionários

Empresa projeta gastar US$ 200 bilhões em capital em 2026

Logo da Amazon perto de Paris, na França (Foto: REUTERS/Gonzalo Fuentes/Arquivo)

247 - A Amazon apresentou resultados acima das expectativas no quarto trimestre de 2025, mas viu suas ações caírem fortemente no pós-mercado da Nasdaq, em Nova York, após divulgar uma projeção de investimentos de cerca de US$ 200 bilhões em despesas de capital para 2026. A reação negativa refletiu a cautela de investidores diante do aumento acelerado dos gastos ligados à inteligência artificial e à expansão tecnológica.

Entre outubro e dezembro, a gigante de tecnologia com sede em Seattle registrou lucro líquido de US$ 21,19 bilhões, alta de 5,9% na comparação anual. O lucro líquido ajustado por ação ficou em US$ 1,98, superando ligeiramente as projeções do mercado, que estimavam US$ 1,97.

O lucro operacional da companhia somou US$ 24,98 bilhões no trimestre, crescimento de 17,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já a receita total alcançou US$ 213,4 bilhões, avanço anual de 14%. Analistas projetavam faturamento de US$ 211,4 bilhões.

Apesar do desempenho positivo, os papéis da Amazon recuaram mais de 8% no pós-mercado. Por volta das 18h28, as ações caíam 7,1%, cotadas a US$ 206,88. No pregão regular, o desempenho já havia sido negativo, com baixa de 4,4%.

A empresa afirmou que espera investir aproximadamente US$ 200 bilhões em despesas de capital em 2026 e indicou que antecipa “um forte retorno de capital investido no longo prazo”, sinalizando foco na ampliação de infraestrutura e no fortalecimento de projetos estratégicos.

Corrida por inteligência artificial pressiona investidores

A previsão de investimentos da Amazon ocorre em um momento de crescente preocupação do mercado com os custos elevados associados à inteligência artificial, que têm se intensificado entre grandes companhias do setor.

Na quarta-feira (4), a Alphabet, controladora do Google, também divulgou seus resultados e estimou gastos de capital entre US$ 175 bilhões e US$ 185 bilhões em 2026 — bem acima das expectativas, que giravam em torno de US$ 115 bilhões. Após a divulgação, as ações chegaram a recuar 7% no pós-mercado.

O movimento reforça o temor de que o avanço da inteligência artificial, embora promissor, esteja exigindo aportes gigantescos em infraestrutura, chips e data centers, elevando o risco de pressão sobre margens e rentabilidade no curto prazo.

AWS cresce e reforça peso do setor de nuvem

Um dos principais destaques do balanço foi o desempenho da Amazon Web Service (AWS), divisão de computação em nuvem do grupo, que registrou crescimento de 24% na receita, alcançando US$ 35,58 bilhões. O resultado superou a projeção do mercado, que era de US$ 35 bilhões.

O CEO Andy Jassy atribuiu o avanço ao ritmo acelerado de inovação e à expansão de diferentes áreas do conglomerado. Em carta aos acionistas, ele afirmou:

“A AWS crescendo 24% (nosso crescimento mais rápido em 13 trimestres), a área de Publicidade crescendo 22%, as Lojas crescendo vigorosamente na América do Norte e Internacionalmente, nosso negócio de chips crescendo em porcentagens de três dígitos ano a ano — esse crescimento está acontecendo porque continuamos a inovar em um ritmo acelerado e a identificar e resolver problemas dos clientes.”

Além da AWS, a Amazon também reportou expansão relevante na área de publicidade, com crescimento de 22%, e destacou o desempenho das operações de varejo na América do Norte e no mercado internacional.

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