Avibras retoma operações após 4 anos de paralisação
Retomada ocorre após recuperação judicial e aporte de R$ 300 milhões
247 - A Avibras retomou oficialmente suas operações nesta quinta-feira (30), após quatro anos de paralisação, em um movimento que envolve reestruturação empresarial, renegociação de dívidas e criação de uma nova companhia para concentrar seus ativos e patentes. A retomada ocorre em um contexto de reorganização do setor e tentativa de recuperação financeira da empresa.
De acordo com informações publicadas pelo Valor Econômico, a empresa do setor de defesa estava com atividades suspensas desde 2022, quando entrou em recuperação judicial acumulando uma dívida estimada em cerca de R$ 800 milhões. Durante esse período, aproximadamente 900 funcionários permaneceram em greve desde setembro daquele ano.
Nova empresa assume ativos e inicia reestruturação
Como parte do plano de retomada, foi criada a Avibras Aeroco, que passará a reunir os principais ativos e tecnologias da companhia original. A nova estrutura busca dar continuidade às operações industriais e aos projetos estratégicos da empresa, que atua no desenvolvimento de sistemas de defesa e soluções espaciais.
Entre os produtos da Avibras estão sistemas de artilharia, mísseis, foguetes e veículos especiais, incluindo o Sistema Astros. A empresa também informou que segue avançando em novos projetos em fase de certificação, como o Míssil Tático de Cruzeiro (MTC), com alcance de até 300 quilômetros, e o Míssil Tático Balístico (MTB), que ultrapassa 100 quilômetros de alcance.
Aporte financeiro e apoio estratégico
A retomada das atividades foi viabilizada por um aporte de R$ 300 milhões realizado pelo Fundo Brasil Crédito, que se tornou o principal credor da companhia desde 2024. Segundo fontes, parte dos recursos foi obtida por meio de empréstimo junto ao empresário Joesley Batista, da JBS, que não se manifestou oficialmente sobre a operação.
Além disso, a empresa negocia com o governo federal a concessão de uma linha de crédito para sustentar a retomada produtiva. Outro fator relevante é a manutenção de contratos com o Exército Brasileiro, que já era cliente da Avibras antes da crise e mantém pedidos estimados entre R$ 200 milhões e R$ 300 milhões por ano.
Recontratações e demissões marcam transição
O processo de reestruturação inclui demissões na antiga estrutura da empresa. Inicialmente, cerca de 200 trabalhadores devem ser recontratados pela Avibras Aeroco, enquanto o restante do quadro funcional passa por ajustes conforme o novo modelo operacional.
Nos últimos anos, diversas tentativas de venda da empresa foram feitas, incluindo negociações com grupos estrangeiros como a australiana Defendtex, sem sucesso. A possibilidade de aquisição por empresas internacionais foi alvo de críticas do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, que defende a estatização da companhia.
Estratégia mira longo prazo e estabilidade
À frente da nova empresa, o diretor-presidente Sami Hassuani destacou a importância de uma gestão orientada ao longo prazo. Em nota, afirmou: “Agregar consistência e visão estratégica ao negócio é fundamental para o desenvolvimento da Avibras Aeroco, especialmente em um setor que exige planejamento de longo prazo, relações de confiança e continuidade nas parcerias. Acredito na importância de alinhar tecnologia e propósito, e de reforçar o papel das soluções desenvolvidas em função das necessidades operacionais e estratégicas de nossos clientes”.


