Axia e GIZ anunciam 1ª planta de hidrogênio verde para aço de baixo carbono
Projeto prevê unidade de até 10 MW e quer reduzir emissões na siderurgia, setor responsável por 7% do CO₂ global
247 - A Axia Energia anunciou uma parceria com a Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da agência alemã GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit GmbH), para construir a primeira planta de hidrogênio verde dedicada à produção de aço de baixo carbono no Brasil.
O projeto integra o programa develoPPP, financiado pelo Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento da Alemanha (BMZ), e tem como objetivo impulsionar a cadeia produtiva do hidrogênio verde no país e fortalecer a posição brasileira no cenário global da siderurgia sustentável.
Segundo a Axia, a planta terá potência de até 10 megawatts (MW) e utilizará energia renovável — solar, eólica ou hídrica — para produzir hidrogênio verde destinado a uma usina siderúrgica parceira. A proposta é substituir parcial ou totalmente o uso de combustíveis fósseis no processo industrial, reduzindo drasticamente as emissões em comparação ao alto-forno tradicional movido a coque ou gás natural.
Além da implantação física da unidade, o plano prevê a comprovação da viabilidade econômica do modelo em escala comercial, o desenvolvimento de metodologias de certificação e a capacitação de profissionais, com foco na consolidação do mercado de hidrogênio verde e na produção de aço de baixa emissão.
Em nota, o vice-presidente de Inovação, P&D, Digital e TI da Axia Energia, Juliano Dantas, afirmou: “A Axia Energia tem como propósito oferecer soluções sustentáveis que impulsionem a descarbonização de diferentes cadeias produtivas e reforcem seu protagonismo na transição energética”.
Já o diretor nacional da GIZ Brasil, Jochen Quinten, destacou: “Com a Axia, damos agora um passo decisivo ao levar esse acúmulo de conhecimento e experiências para uma indústria-chave como a siderurgia”.
Estimativas da Agência Internacional de Energia Renovável indicam que a produção de aço é responsável por cerca de 7% das emissões globais de CO₂. No Brasil, apesar da ampla disponibilidade de recursos renováveis, o setor ainda depende de combustíveis fósseis, o que aumenta a exposição a pressões regulatórias e de mercado.
Essa dependência pode gerar impactos diretos diante do avanço de políticas internacionais, como taxação de carbono e exigências ambientais em países que impõem barreiras comerciais para produtos com alta emissão de gases de efeito estufa.
De acordo com a Axia, o processo de produção de aço com participação do hidrogênio verde começa com a geração de eletricidade renovável, que alimenta plantas de eletrólise responsáveis por dissociar a molécula da água em oxigênio (O₂) e hidrogênio (H₂). Na etapa seguinte, o hidrogênio é incorporado à produção do aço, substituindo total ou parcialmente o coque de carvão ou o gás natural em altos-fornos ou em sistemas auxiliares, reduzindo a pegada de carbono do produto final.
Com o projeto, Axia e GIZ pretendem consolidar um modelo de produção mais limpo e competitivo, alinhado à transição energética e às novas exigências ambientais do comércio internacional.


