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Bancos avaliam que novo tarifaço dos EUA preocupa menos

Bancos avaliam que diversificação das exportações e diálogo diplomático com Washington reduzem riscos de impactos econômicos ao país

Painel da B3, em São Paulo 05/08/2024 REUTERS/Carla Carniel (Foto: REUTERS/Carla Carniel)
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247 - O mercado financeiro avalia com menos preocupação a possibilidade de uma nova rodada de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Na visão de representantes de bancos e instituições financeiras, o cenário atual é menos desafiador do que o enfrentado pelo Brasil no ano passado, quando o governo dos Estados Unidos, presidido por Donald Trump, impôs uma tarifa de 50% sobre produtos nacionais.

As avaliações foram publicadas originalmente pela coluna de Victoria Abel, no SBT News. Em entrevistas ao veículo, investidores, operadores do mercado e economistas destacaram fatores que, segundo eles, reduzem os riscos de prejuízos significativos para a economia brasileira, mesmo diante da perspectiva de novas barreiras comerciais impostas por Washington.

Entre os principais elementos apontados pelo setor financeiro estão a capacidade demonstrada pelo Brasil de ampliar e diversificar seus mercados de exportação e a manutenção dos canais diplomáticos entre o governo brasileiro e a Casa Branca. Na avaliação dos agentes econômicos, esses fatores oferecem uma proteção maior em comparação ao cenário observado anteriormente.

Diversificação fortaleceu exportações

Para economistas ouvidos pelo SBT News, o momento mais crítico das tensões comerciais serviu como um teste para a capacidade de adaptação da economia brasileira. Segundo essa avaliação, o país conseguiu encontrar novos compradores para seus produtos e ampliar sua presença em outros mercados internacionais sem enfrentar grandes dificuldades.

O entendimento predominante é que a experiência adquirida durante o período de maior pressão tarifária contribuiu para tornar o setor exportador mais resiliente. Com uma carteira mais diversificada de destinos para suas mercadorias, o Brasil estaria menos vulnerável a eventuais restrições comerciais provenientes de um único parceiro.

Além disso, integrantes de instituições financeiras consideram que a diplomacia brasileira conseguiu restabelecer pontes de diálogo com o governo norte-americano após momentos de maior distanciamento político. Na percepção do mercado, os canais de negociação permanecem abertos, o que pode favorecer soluções negociadas para eventuais impasses.

Nova proposta de taxação

Na noite de terça-feira (2), o governo dos Estados Unidos anunciou a proposta de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. A medida faz parte de uma iniciativa mais ampla que também atinge outros 59 países.

A decisão foi apresentada após uma investigação relacionada à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. O anúncio amplia as discussões sobre os impactos do endurecimento das políticas comerciais americanas sobre economias exportadoras.

A proposta surge poucos dias depois de outra medida tarifária divulgada por Washington. Inicialmente, o governo americano havia anunciado uma taxação de 25% sobre determinados produtos, o que provocou reações distintas entre investidores e analistas financeiros.

Reação dos mercados

Apesar da preocupação gerada pelas novas medidas, a reação inicial do mercado financeiro brasileiro foi relativamente moderada. Na terça-feira, quando foi anunciada a tarifa de 25%, o Ibovespa registrou alta de 1,16%, indicando que os investidores não interpretaram o movimento como uma ameaça imediata à atividade econômica nacional.

Já na quarta-feira, após a divulgação da sobretaxa adicional de 12,5%, o principal índice da Bolsa brasileira encerrou o dia em queda de 2,2%. Economistas observam, entretanto, que a reação negativa não pode ser atribuída exclusivamente ao anúncio envolvendo o Brasil.

Segundo a análise do mercado, a nova rodada de tarifas teve um caráter mais amplo, alcançando dezenas de países, o que fez com que a medida fosse percebida como “menos política” em comparação às ações anteriores.

Cenário internacional influencia investidores

Outro fator que contribuiu para a queda do Ibovespa foi o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Uma nova escalada militar entre Estados Unidos e Irã elevou a aversão ao risco nos mercados internacionais, pressionando bolsas e ativos de países emergentes.

Nesse contexto, especialistas ressaltam que o comportamento dos investidores refletiu não apenas as preocupações relacionadas ao comércio exterior brasileiro, mas também um ambiente global marcado por incertezas e instabilidade.

Mesmo diante da nova proposta tarifária apresentada pelos Estados Unidos, a percepção predominante entre bancos e instituições financeiras é de que o Brasil chega a este momento mais preparado para absorver possíveis impactos, graças à diversificação dos mercados de exportação e à continuidade das negociações diplomáticas entre Brasília e Washington.

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