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Bancos se aliam ao governo Lula contra ameaça dos Estados Unidos ao Pix

Decisões dos EUA impulsionadas pela família Bolsonaro ameaçam bancos, fintechs, operações em dólar e o uso de cartões

Bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos (Foto: Embaixada dos EUA/Divulgação)
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247 - O sistema financeiro brasileiro intensificou articulações no Brasil e nos Estados Unidos para tentar conter o risco de sanções norte-americanas associadas ao Pix, em meio ao temor de que medidas do governo Donald Trump afetem bancos, fintechs, operações em dólar e o uso de cartões de bandeiras dos EUA, informa a Folha de São Paulo.

Pessoas do mercado financeiro e bancário passaram a tratar a hipótese de punições dos Estados Unidos como uma espécie de “Lei Magnitsky dos bancos”. A referência é à legislação que permite o bloqueio de bens em território norte-americano, o arresto de contas bancárias e restrições ao uso de cartões vinculados a instituições dos EUA, como Visa e Mastercard.

A expressão ganhou força no Brasil após a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. No caso, a justificativa apresentada foi a de que ele teria realizado detenções e silenciado críticos.

O receio no setor bancário brasileiro aumentou depois que os Estados Unidos classificaram o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A medida abriu a possibilidade de sanções financeiras e provocou preocupação entre instituições que operam no Brasil, mas também mantêm conexões com o sistema financeiro internacional.

A pressão norte-americana sobre o Pix, porém, não começou agora. O incômodo do governo Trump com o sistema de pagamentos brasileiro já havia entrado em uma investigação comercial em julho de 2025. Autoridades dos EUA classificaram o Pix como uma “prática desleal” e prejudicial a empresas como Visa e Mastercard.

Entre bancos e fintechs, a avaliação é que o caso se assemelha a uma versão bancária da Lei Magnitsky porque instituições financeiras nacionais com presença no exterior ou operação com bandeiras norte-americanas podem ser obrigadas a cumprir determinações de Washington. Isso poderia elevar custos de controle contra lavagem de dinheiro, ampliar exigências sobre transações em dólar e gerar pressões de investidores.

Grandes bancos brasileiros também atuam para apresentar argumentos à administração Trump, com apoio do governo Lula. A estratégia é mostrar que o sistema bancário brasileiro tem características muito diferentes das encontradas nos Estados Unidos, sobretudo pela maior concentração do mercado nacional.

Nos EUA, o setor bancário é mais pulverizado e regionalizado. O JPMorgan Chase liderava o mercado com cerca de 11,7% dos depósitos domésticos, em um ambiente composto por milhares de bancos comerciais regionais. No Brasil, Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa concentram aproximadamente 60% do mercado de crédito.

Para o setor financeiro brasileiro, essa estrutura mais concentrada ajuda a explicar por que o Pix se tornou viável no país, enquanto um modelo semelhante enfrenta maiores obstáculos nos Estados Unidos. Os bancos também buscam reforçar a tese de que o Pix é apenas um sistema de pagamento, e não um mecanismo criado para retirar recursos das instituições financeiras.

Outro ponto usado na defesa do Pix é a diferença estrutural entre os dois países no acompanhamento das transações. No Brasil, a velocidade das operações e o rastreamento de informações ocorrem em um ambiente bancário mais integrado. Já nos Estados Unidos, o modelo mais fragmentado torna esse tipo de sistema mais difícil de implementar em escala nacional.

A articulação do sistema financeiro ocorre em meio a um cenário de maior tensão regulatória e comercial entre Brasil e Estados Unidos. Bancos e fintechs tentam evitar que a disputa em torno do Pix avance para medidas capazes de atingir diretamente a operação de instituições brasileiras no exterior e suas relações com empresas financeiras norte-americanas.

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