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Barômetro da infraestrutura indica retomada do apetite por investimentos no Brasil

Pesquisa da Abdib e EY-Parthenon revela queda do pessimismo e avanço das expectativas para concessões e novos projetos

Obra da Ferrovia Transnordestina (Foto: Divulgação (Transnordestina Logística S/A))

247 - O setor de infraestrutura no Brasil voltou a apresentar sinais consistentes de otimismo, segundo a mais recente edição do Barômetro da Infraestrutura. O levantamento aponta que 54,2% dos agentes de mercado consideram favorável o ambiente para novos investimentos nos próximos seis meses, uma alta expressiva em relação aos 40,6% registrados na rodada anterior da pesquisa.

Além do avanço do otimismo, o índice de pessimismo recuou de 30,7% para 20,4%, sinalizando maior confiança dos investidores mesmo diante de incertezas macroeconômicas e da proximidade do calendário eleitoral de 2026. O resultado reflete a percepção de maior previsibilidade no setor, impulsionada pela continuidade de projetos e pela agenda de concessões.

Segundo Gustavo Gusmão, sócio da EY-Parthenon, fatores estruturais ajudam a explicar a resiliência do setor. “A carteira de projetos de longa maturação e o volume de concessões ajudam a sustentar o apetite por investimentos”, afirmou. De acordo com ele, esses elementos contribuem para manter o interesse dos investidores mesmo em um contexto de juros elevados.

A pesquisa mostra que, mesmo com a taxa de juros em torno de 15% ao ano, 21,3% das empresas mantiveram seus aportes, recorrendo principalmente a capital próprio. Em 2025, os investimentos privados em infraestrutura alcançaram R$ 234,9 bilhões, o equivalente a 84% de todo o volume aplicado no setor, reforçando o protagonismo da iniciativa privada no financiamento dos projetos.

No campo institucional, a percepção sobre a atuação do governo federal em concessões e parcerias público-privadas apresentou melhora. Para 46,4% dos entrevistados, a União aproveita parcialmente o potencial de investimentos disponíveis. Nos estados, essa avaliação sobe para 59%, enquanto nos municípios cai para 22,1%, evidenciando dificuldades na estruturação de projetos em nível local.

As eleições de 2026 também entram no radar dos investidores. Para 84,3% dos respondentes, o processo eleitoral deve gerar algum impacto sobre os negócios. Ainda assim, 43,5% projetam a manutenção do ritmo de licitações, enquanto 33,8% esperam uma redução no volume de novos certames ao longo do período.

Entre os segmentos considerados mais promissores, o saneamento básico voltou a liderar as intenções de investimento, citado por 49,2% dos participantes. Em seguida aparecem rodovias, com 47,8%, e energia elétrica, com 38,5%. O mercado de trabalho acompanha essa perspectiva de expansão: 47,5% das empresas planejam contratar, um avanço de 11,3 pontos percentuais em relação à edição anterior.

Apesar do cenário mais favorável, o estudo aponta um obstáculo relevante para a execução dos projetos. A escassez de mão de obra qualificada foi mencionada por 87,5% dos entrevistados como um dos principais gargalos para o avanço das obras e a materialização dos investimentos previstos.

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