"A única guerra que precisamos travar é contra a fome e a desigualdade", diz Lula no Panamá
Em discurso na abertura do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, presidente defendeu a integração pragmática entre os países da região
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (28) que a América Latina e o Caribe devem concentrar seus esforços no enfrentamento da fome e da desigualdade social. A declaração foi feita durante a abertura do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe 2026, realizado na Cidade do Panamá, que reúne lideranças políticas e econômicas para discutir os desafios estratégicos da região.O evento é organizado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), em parceria com o governo do Panamá, e tem o Brasil como país convidado de honra nesta edição.
Contexto global e integração regional
Em sua fala, Lula avaliou que o fórum ocorre em um momento marcado por instabilidades geopolíticas, econômicas e tecnológicas, especialmente para os países latino-americanos e caribenhos. Ele destacou o simbolismo da escolha do Panamá como sede do encontro. “A escolha da cidade do Panamá para receber este evento possui um simbolismo especial. Este é um verdadeiro ponto de união entre o Atlântico e o Pacífico”, afirmou.
O presidente ressaltou que, diante das turbulências globais, o Brasil optou por uma trajetória baseada na democracia, na paz, no multilateralismo e na integração regional. “Nossa estabilidade política, social, econômica, fiscal e jurídica tem sido reconhecida em todo o mundo. Nos últimos anos, o Brasil atraiu volumes recordes de capital estrangeiro. Seguimos promovendo um comércio internacional justo, equilibrado e baseado em regras multilateralmente acordadas”, declarou.
Indicadores econômicos e sociais do Brasil
Ao abordar os resultados internos do país, Lula afirmou que o combate à desigualdade deve ser prioridade absoluta. “A única guerra que precisamos travar nesta parte do mundo é contra a fome e a desigualdade”, disse. O presidente enumerou indicadores econômicos e sociais registrados desde 2023.
“Desde 2023, o Brasil cresceu acima da média mundial, controlou a inflação e alcançou o menor desemprego da nossa história. Valorizamos o salário mínimo, aumentamos a renda dos trabalhadores e levamos justiça tributária a milhões de brasileiros. Saímos mais uma vez do Mapa da Fome da FAO. Em dois anos, a pobreza deu lugar à inclusão social e 17,4 milhões de pessoas ascenderam de classe no Brasil”, afirmou.
Comércio internacional e transição ecológica
Lula também comentou as práticas protecionistas no comércio global e afirmou que o Brasil responderá com diálogo e apoio às empresas nacionais. “Em 2025, superamos marcas históricas de exportações e importações. Nossa corrente de comércio foi de 629 bilhões de dólares. Isso é resultado de uma estratégia consistente de diversificação de parcerias com economias tradicionais e emergentes”, declarou.
No campo ambiental, o presidente destacou o protagonismo brasileiro na economia verde. “Estamos na vanguarda da economia verde. 90% da nossa matriz elétrica é renovável. Somos líderes em biocombustíveis. Nosso Plano de Transformação Ecológica identificou 90 bilhões de dólares em projetos que vão impulsionar a economia verde”, afirmou.
Violência de gênero e desigualdade
Durante o discurso, Lula também chamou atenção para a violência de gênero na região. “A América Latina também ostenta o triste recorde de ser a região com maior número de feminicídios. Segundo a CEPAL, 11 mulheres latino-americanas são assassinadas diariamente”, alertou. Ele destacou que o enfrentamento do problema exige envolvimento coletivo. “Essa não é uma batalha só das mulheres. Nós, homens, temos que nos somar a essa luta. Quando o povo tem dignidade e segurança a sociedade próspera”, afirmou.
Acordos comerciais e infraestrutura regional
Lula lembrou que, desde 2023, o Brasil retomou os esforços de integração regional, com a conclusão de acordos comerciais e a ampliação de parcerias. “Concluímos os acordos entre o Mercosul e Cingapura e entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio, a EFTA. Após 26 anos de negociações, assinamos o acordo Mercosul-União Europeia”, afirmou.
O presidente também destacou o programa Rotas de Integração Sul-Americana. “Continuamos empenhados em trabalhar com todos os países vizinhos. São dezenas de obras de melhoria de rodovias, hidrovias, ferrovias, portos e aeroportos, além de infovias e linhas de transmissão, com potencial para dobrar o comércio intrarregional em poucos anos. A integração em infraestrutura não tem ideologia”, declarou.
Relações econômicas entre Brasil e Panamá
No encerramento do discurso, Lula destacou o fortalecimento das relações econômicas entre Brasil e Panamá. O intercâmbio comercial entre os dois países cresceu 78% no último ano, alcançando US$ 1,6 bilhão, impulsionado principalmente pelas exportações brasileiras de petróleo e derivados.
O presidente citou ainda a venda de quatro aeronaves Super Tucano, da Embraer, ao governo panamenho, e ressaltou a importância logística do país centro-americano para o comércio brasileiro, lembrando que o Brasil é o 15º maior usuário do Canal do Panamá.


