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“O Brasil defende a neutralidade do Canal do Panamá”, diz Lula em meio à ofensiva de Trump

Presidente é aplaudido ao afirmar que o canal é “administrado de forma eficiente, segura e não discriminatória há quase três décadas”

Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (28) que o Brasil defende a neutralidade do Canal do Panamá como princípio estratégico para a integração regional e o comércio internacional. A declaração foi feita durante a sessão inaugural do Fórum Econômico Internacional da América Latina, realizado na capital panamenha, em um momento marcado por tensões geopolíticas e pela ofensiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em temas ligados à política externa e ao comércio global.

Ao discursar no evento, Lula contextualizou sua posição a partir da necessidade de fortalecer a cooperação latino-americana diante de um cenário internacional instável. As declarações foram feitas no Panamá, país que sediou, há 200 anos, o Congresso que reuniu as jovens nações latino-americanas em busca de consolidar sua independência e definir seu papel no mundo, marco histórico citado pelo presidente ao longo de sua fala.

Lula ressaltou que, embora daquele congresso tenham surgido ideias fundamentais posteriormente incorporadas ao direito internacional e à Carta das Nações Unidas — como a manutenção da paz, a solução pacífica de controvérsias, a igualdade jurídica entre os Estados e a integridade territorial —, o legado institucional foi insuficiente para consolidar mecanismos regionais eficazes. Segundo o presidente, dois séculos depois, a América Latina enfrenta um dos períodos de maior retrocesso em matéria de integração.

Nesse contexto, Lula criticou a fragmentação política da região e o enfraquecimento de iniciativas de cooperação. Ele mencionou o colapso da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), atribuindo o fracasso à intolerância política, e afirmou que a região voltou a se orientar mais para interesses externos do que para projetos próprios. O presidente alertou ainda para a influência de disputas ideológicas alheias, o avanço do extremismo político e a manipulação da informação, fatores que, segundo ele, esvaziaram cúpulas regionais e paralisaram a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).

Ao abordar o ambiente global, Lula afirmou que a ruptura da ordem liberal, o ressurgimento do protecionismo e do unilateralismo tornaram insuficientes antigos paradigmas de integração. Ele defendeu que a América Latina observe a experiência da União Europeia como referência, sem ignorar diferenças históricas, econômicas e culturais. Nesse ponto, citou a proximidade geográfica com a “maior potência militar do mundo”, referência direta aos Estados Unidos, ao mencionar o recrudescimento de “tentações hegemônicas” e a falta de convicção regional em torno de um projeto mais autônomo de inserção internacional.

O presidente também destacou indicadores recentes da economia brasileira para sustentar a defesa de um modelo baseado em democracia, multilateralismo e integração regional. Lula afirmou que o país tem registrado estabilidade política, social e econômica, atraído volumes recordes de capital estrangeiro e ampliado o comércio internacional. Segundo ele, em 2025, a corrente de comércio brasileira alcançou US$ 629 bilhões, resultado de uma estratégia de diversificação de parcerias com economias tradicionais e emergentes.

Lula afirmou ainda que, desde 2023, o Brasil cresce acima da média mundial, controla a inflação e registra o menor desemprego de sua história. Ele citou a valorização do salário mínimo, o aumento da renda dos trabalhadores, a saída do país do Mapa da Fome da ONU e a inclusão social de 17,4 milhões de pessoas em dois anos. O presidente também destacou o papel do Brasil na economia verde, com uma matriz elétrica majoritariamente renovável, liderança em biocombustíveis e projetos voltados à transição energética.

Ao tratar da integração sul-americana, Lula destacou o avanço do programa brasileiro de rotas de integração, com obras em rodovias, hidrovias, ferrovias, portos, aeroportos, infovias e linhas de transmissão. Segundo ele, esse conjunto de investimentos tem potencial para ampliar significativamente o comércio intrarregional. Foi nesse contexto que o presidente afirmou: “Por isso o Brasil defende a neutralidade do Canal do Panamá, administrado de forma eficiente, segura e não discriminatória há quase três décadas”, declaração que foi recebida com aplausos pelo público presente.

Lula concluiu defendendo que uma integração regional duradoura exige a participação de governos subnacionais, da sociedade civil e da iniciativa privada. Ele citou sistemas de pagamentos digitais, como o Pix, e programas de integração entre universidades e centros de pesquisa como instrumentos capazes de fortalecer laços regionais baseados em inovação, conhecimento e pragmatismo.

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