Bradesco lucra R$ 6,5 bilhões no 4º tri e projeta expansão em 2026
Banco registra alta de 20,6% no lucro recorrente, eleva rentabilidade e prevê crescimento de até 10,5% na carteira de crédito neste ano
Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 5 Fev (Reuters) - O Bradesco teve lucro líquido recorrente de R$6,5 bilhões no quarto trimestre do ano passado, aumento de 20,6% em relação ao mesmo período de 2024, dentro do esperado por analistas, mostraram dados divulgados pelo banco nesta quinta-feira.
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) alcançou 15,2% nos últimos três meses de 2025, aumento de 2,5 pontos percentuais ano a ano.
"Nosso ROE superou o custo de capital. É um marco importante que foi superado. E a nossa expectativa é que o lucro continue a aumentar, em cada um dos próximos trimestres, de forma gradual e segura, 'step by step'", afirmou o presidente-executivo do Bradesco, Marcelo Noronha, em comunicado.
Apesar do resultado, o número permanece distante dos 24,4% divulgados pelo Itaú Unibanco e abaixo dos 17,6% apresentados pelo Santander Brasil para o período.
O banco também publicou suas previsões para 2026, incluindo estimativa de crescimento de 8,5% a 10,5% na carteira de crédito expandida, enquanto vê a margem financeira líquida de R$42 bilhões a R$48 bilhões. Em 2025, a carteira de crédito subiu 11%, ante guidance de expansão de 4% a 8%, e a margem financeira somou R$40 bilhões, ante projeção de R$37 bilhões a R$41 bilhões.
"Começamos 2026 em ritmo mais forte do que começamos 2025. Mantemos apetite ao risco moderado, porque o cenário macro ainda nos mostra desafios e incertezas, mas temos encontrado boas oportunidades e estamos otimistas com os nossos negócios", acrescentou o executivo.
INADIMPLÊNCIA ESTÁVEL
O Bradesco encerrou 2025 com uma carteira de crédito expandida de R$1,09 trilhão, aumento de 5,3% em relação ao final do terceiro trimestre do mesmo ano, com expansão de 3,3% no portfólio de pessoas físicas e de 6,9% em pessoa jurídica nessa mesma base de comparação.
A despesa com provisão para devedores duvidosos (PDD) expandida somou R$8,8 bilhões no quarto trimestre do ano passado, de R$8,56 bilhões nos três meses anteriores.
A PDD expandida em relação às operações de crédito passou a 3,2% no quarto trimestre, de 3,3% no terceiro trimestre, refletindo, segundo o banco, crescimento da carteira de crédito no período, efeito da eficiência no processo de cobranças e menores despesas com PDD do segmento de atacado.
A inadimplência acima de 90 dias total ficou em 4,1%, estável na base trimestral, com a carteira de pessoas físicas também inalterada nessa comparação, em 5,4%. O segmento de micro, pequenas e médias empresas mostrou alta de 3,7% para 3,8% e o de grandes companhias registrou queda de 0,4% para 0,3%.
No quarto trimestre, a margem financeira total cresceu 13,2% ano a ano, para R$19,2 bilhões, com expansão de 18,4% na margem com clientes, para R$19,1 bilhões, mas queda de 85% na margem com mercado, para R$126 milhões. A margem líquida fechou o trimestre com alta de 9,3% ano a ano.
As receitas com prestações de serviços subiram 8%, para R$11 bilhões, enquanto as despesas operacionais totalizaram quase R$17 bilhões, alta de 3,3%. Em todo o exercício de 2025, tiveram expansão de 8,9% e 8,5%, respectivamente, ante 2024. Para 2026, o banco prevê alta de 3% a 5% e de 6% a 8% para essas linhas.
"Para 2026, esperamos que, com o risco de crédito controlado, nossa rentabilidade evolua através do aumento de nossas receitas", afirmou o banco no material de divulgação dos resultados.
O desempenho operacional das atividades de seguros gerou um resultado de R$5,6 bilhões (+2,1% ano a ano) e lucro líquido de R$2,8 bilhões (+10,6%).
O índice de capital nível 1 ficou em 13,2% e o índice de capital principal foi de 11,2% no trimestre.
Ao final de 2025, o Bradesco tinha 2.009 agências, 1.872 postos de atendimento e 724 unidades de negócios, de 2.305 agências, 2.970 postos e 728 unidades no final de 2024.


