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Bradesco, Santander e BNP Paribas figuram entre principais credores da Raízen

Empresa controlada por Shell e Cosan tenta reestruturar cerca de US$ 12,6 bilhões em dívidas após iniciar processo de recuperação

Bradesco, Santander e BNP Paribas figuram entre principais credores da Raízen (Foto: Divulgação)

247 - A empresa de energia e biocombustíveis Raízen iniciou um processo de recuperação para reorganizar cerca de US$ 12,6 bilhões — aproximadamente R$ 65 bilhões — em dívidas, colocando grandes instituições financeiras entre seus principais credores. Documentos divulgados pela companhia indicam que bancos como Bradesco, Santander e BNP Paribas estão entre as instituições com maior exposição financeira à empresa.

Segundo informações publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo, a companhia, controlada pela Shell e pela Cosan, formalizou na terça-feira (10) um pedido de recuperação judicial como parte de um processo mais amplo de reestruturação financeira.

Dados divulgados na quarta-feira (11) mostram que o banco francês BNP Paribas possui cerca de R$ 4,2 bilhões a receber da companhia. Já Bradesco, Santander, Rabobank e Sumitomo Mitsui aparecem com créditos próximos de R$ 2 bilhões cada um. O Itaú Unibanco, por sua vez, tem uma exposição superior a R$ 1 bilhão.

Além das instituições financeiras tradicionais, outras entidades também aparecem entre os maiores credores da empresa. O Bank of New York Mellon, que atua como agente fiduciário, figura nos documentos com créditos equivalentes a aproximadamente R$ 26 bilhões. Já a True Securitizadora tem cerca de R$ 6,4 bilhões a receber.

As securitizadoras desempenham papel relevante no financiamento do agronegócio brasileiro por meio da estruturação de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) — títulos de renda fixa utilizados para captar recursos destinados ao setor.

Como parte do processo de reorganização financeira, a Raízen concordou em iniciar uma reestruturação extrajudicial de sua dívida. O plano prevê a suspensão temporária de pagamentos e estabelece um prazo de 90 dias para que a empresa obtenha adesão de credores a uma proposta mais abrangente.

Entre as alternativas em análise estão novos aportes de capital por parte dos controladores, conversão de parte da dívida em participação acionária e eventual venda de ativos.

No mercado, a situação financeira da companhia vem sendo acompanhada com atenção. Considerada durante anos uma das maiores produtoras de biocombustíveis do Brasil, a Raízen foi afetada por uma combinação de fatores, incluindo juros elevados, safras abaixo do esperado e investimentos expressivos que ainda não geraram retorno financeiro.

A deterioração das condições financeiras também se refletiu nos mercados de crédito. Títulos da empresa denominados em dólar registraram forte queda de preço, enquanto agências de classificação de risco reduziram as notas da companhia para grau especulativo, diante das preocupações crescentes com o nível de endividamento.

Procurados, Bradesco e Rabobank afirmaram que não comentam operações de mercado ou transações específicas. BNP Paribas, Santander, Sumitomo Mitsui, Itaú Unibanco, True Securitizadora e Bank of New York Mellon não responderam aos pedidos de posicionamento.

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